A discussão sobre o comportamento de viajantes em destinos estrangeiros levanta um debate ainda maior: o impacto do turismo em massa. Para além da conduta individual, o volume excessivo de visitantes, conhecido como "overtourism", transformou paraísos turísticos em locais de conflito com os próprios moradores, que sofrem com o aumento do custo de vida e a descaracterização de suas cidades.
O fenômeno não é novo, mas ganhou força com a popularização de voos de baixo custo e plataformas de aluguel por temporada. O resultado é uma pressão contínua sobre a infraestrutura local, como transporte público e saneamento, além da degradação de monumentos históricos e ecossistemas sensíveis. Para muitos residentes, a cidade deixa de ser um lar para se tornar um cenário.
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Diante desse cenário, governos e autoridades locais ao redor do mundo começaram a implementar medidas para controlar o fluxo de pessoas e mitigar os efeitos negativos. As estratégias variam, mas o objetivo é comum: encontrar um equilíbrio que permita a continuidade da atividade econômica sem sacrificar a qualidade de vida da população e a preservação do patrimônio.
Destinos que estão limitando visitantes
Veneza, na Itália, é um dos exemplos mais conhecidos. A cidade implementou uma taxa de entrada para turistas que não pernoitam no local, buscando desestimular as visitas de apenas um dia que sobrecarregam a frágil estrutura urbana. A medida visa garantir uma experiência mais sustentável tanto para quem visita quanto para quem vive ali.
Em Barcelona, na Espanha, a prefeitura restringiu a abertura de novos hotéis em áreas centrais e aumentou a fiscalização sobre apartamentos turísticos ilegais. A iniciativa busca frear a especulação imobiliária, que expulsava moradores de bairros tradicionais para dar lugar a acomodações para viajantes.
Outro caso emblemático é o de Amsterdã, nos Países Baixos, que lançou uma campanha ativa para desencorajar certos tipos de turismo, como despedidas de solteiro. Além disso, a cidade baniu navios de cruzeiro do centro e limitou a abertura de lojas de suvenires, tentando devolver o espaço urbano aos seus cidadãos.
No Peru, o acesso à cidade inca de Machu Picchu agora é controlado por um sistema de ingressos com horários marcados, limitando o número de pessoas que podem entrar no sítio arqueológico diariamente. A regra foi criada para preservar as ruínas históricas do desgaste causado pelo excesso de passos.
Até mesmo paraísos naturais sentiram o impacto. Maya Bay, na Tailândia, famosa pelo filme “A Praia”, ficou fechada ao público por quase quatro anos. A medida drástica foi necessária para permitir a recuperação dos recifes de corais, severamente danificados pela enorme quantidade de barcos e turistas que frequentavam o local.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
