O reajuste anual dos benefícios do INSS, aplicado em janeiro, chega como um alívio para milhões de aposentados e pensionistas, mas a sensação de que o dinheiro continua curto é comum. Para 2026, por exemplo, o cenário se repete: o aumento nem sempre representa um ganho real no poder de compra, criando um desafio constante para o orçamento de quem depende desses valores.
A correção dos benefícios baseia-se no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado no ano anterior. Em 2026, o índice que corrigirá os benefícios acima do piso será de 3,90%, referente ao INPC de 2025. Esse percentual ficou abaixo da inflação oficial medida pelo IPCA (4,26%), reforçando a percepção de perda. Com isso, o reajuste apenas repõe parte da inflação que já passou, sem garantir fôlego contra a alta de preços do ano corrente. Os pagamentos com os novos valores começam a partir de 26 de janeiro para quem recebe um salário mínimo.
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O grande problema é que a inflação sentida no bolso do aposentado costuma ser diferente da média geral. Itens como medicamentos, planos de saúde e alimentação, que pesam mais no orçamento dos idosos, frequentemente registram aumentos superiores ao INPC. Assim, mesmo com o benefício corrigido, o dinheiro pode não ser suficiente para cobrir os mesmos gastos do ano anterior.
Entenda as regras do reajuste
A forma como o reajuste é calculado também influencia diretamente o valor final do benefício. Existem duas regras distintas que são aplicadas todos os anos, dependendo do valor que o segurado recebe.
Para quem recebe um salário mínimo, o benefício é ajustado com base no mesmo percentual de aumento do piso nacional, que em 2026 subiu para R$ 1.621 — um aumento de 6,79%. A política de valorização do mínimo inclui, além da inflação, um ganho real baseado no crescimento da economia (limitado a 2,5% pelo novo arcabouço fiscal), o que pode resultar em um aumento percentual maior em comparação com os outros benefícios.
Já para os segurados que ganham acima do mínimo, a regra é diferente. O valor é corrigido exclusivamente pela variação do INPC acumulada no ano anterior, que para o reajuste de 2026 foi de 3,90%. Com isso, o teto do INSS passa a ser de R$ 8.475,55. Não há previsão de ganho real, apenas a reposição inflacionária. Na prática, um benefício de R$ 2.000 em 2025 passa para R$ 2.078 em 2026, o que explica por que, ao longo dos anos, muitos benefícios acabam se aproximando do piso.
O ganho real no poder de compra do aposentado só ocorre em um cenário de inflação baixa e controlada. Quando os preços de itens essenciais, como alimentação e saúde, sobem acima do índice geral, a perda se torna inevitável, mesmo com o benefício reajustado.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
