Temperaturas que beiram recordes em um dia e, no outro, um temporal com ventos fortes. Essa combinação, que parece contraditória, tem uma explicação clara e se tornou comum em diversas regiões do Brasil neste mês. O país está sob a influência de um verdadeiro cabo de guerra atmosférico, onde massas de ar com características opostas se encontram e geram eventos climáticos extremos.

De um lado, uma forte massa de ar quente e seco atua sobre grande parte do território, elevando os termômetros a níveis muito acima da média. Esse sistema funciona como uma tampa, dificultando a formação de nuvens de chuva e intensificando a sensação de calor por vários dias seguidos.

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Ao mesmo tempo, a umidade vinda da Amazônia e do Oceano Atlântico continua a ser transportada para o continente. O ar quente tem a capacidade de reter uma quantidade maior de vapor d'água, criando um ambiente carregado de energia e pronto para se transformar em chuva.

O que transforma o calor em temporal?

O gatilho para a mudança brusca no tempo é a chegada de uma frente fria. Essa massa de ar mais frio e denso avança e, por ser mais pesada, empurra o ar quente e úmido para cima de forma muito rápida. É como se o ar frio entrasse por baixo e levantasse todo o "combustível" que estava acumulado perto da superfície.

Esse movimento vertical brusco é o que dá origem às nuvens de grande desenvolvimento, conhecidas como cumulonimbus. São elas as responsáveis pelos temporais severos, que frequentemente vêm acompanhados de:

  • chuvas volumosas em um curto espaço de tempo;

  • rajadas de vento intensas;

  • grande incidência de raios;

  • eventual queda de granizo.

A energia liberada é proporcional ao calor e à umidade disponíveis. Por isso, quanto mais intensa a onda de calor que antecede a frente fria, maior o potencial para a formação de tempestades severas. Esse padrão explica por que dias de calor extremo são frequentemente seguidos por mudanças repentinas e violentas no tempo.

Esse fenômeno não ocorre de maneira uniforme em todo o país. Enquanto uma região ainda vive o auge do calor, áreas vizinhas ou mais ao sul já podem estar sentindo os primeiros efeitos da instabilidade, criando um complexo mapa de contrastes meteorológicos no Brasil.

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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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