Muito antes de chegar aos restaurantes e estádios de futebol, o feijão tropeiro era a refeição prática e nutritiva que sustentava os condutores de mulas durante longas viagens pelo Brasil colonial. O prato, hoje um símbolo da identidade de Minas Gerais, São Paulo e Goiás, nasceu da necessidade de criar uma comida saborosa, que desse energia e, principalmente, que não estragasse facilmente.

Esses homens, conhecidos como tropeiros, eram responsáveis pelo transporte de ouro, mercadorias e suprimentos entre as diferentes regiões do país. Suas jornadas a cavalo ou no lombo de mulas podiam durar semanas ou até meses, o que exigia uma logística alimentar muito específica, baseada em ingredientes resistentes ao tempo e ao transporte precário.

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De comida de viagem a prato principal

A receita original era bem mais simples do que a versão que conhecemos hoje. A ideia era apenas combinar os ingredientes em uma única panela para uma refeição rápida e reforçada. A praticidade era tanta que o prato era preparado no fogo de chão, nos pontos de parada ao longo das extensas rotas comerciais.

Com o passar do tempo e o fim do ciclo do tropeirismo, a receita foi adaptada e enriquecida. Ao deixar de ser uma comida de estrada para ganhar as cozinhas das fazendas e cidades, o feijão tropeiro incorporou novos elementos. A couve finamente cortada, os ovos fritos ou mexidos e o torresmo crocante por cima se tornaram acompanhamentos quase obrigatórios.

Hoje, o prato é uma verdadeira celebração da cultura regional, servido em festas, almoços de família e como iguaria em mercados e restaurantes por todo o Brasil. A receita que nasceu da necessidade de sobrevivência dos tropeiros se transformou em um patrimônio gastronômico regional, especialmente forte em Minas Gerais, São Paulo e Goiás, que conta a história da formação econômica e social do país.

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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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