O único órgão da oficina de Arp Schnitger fora da Europa é o grande destaque das comemorações de 280 anos da Arquidiocese de Mariana, em Minas Gerais. Instalado na Catedral da Sé, o instrumento histórico, que ficou em silêncio por um longo período, voltou a ecoar sua música barroca após um complexo processo de restauração, tornando-se uma atração central nos eventos de celebração.

A jornada do órgão até o Brasil é uma história que mistura realeza, arte e um toque de acaso. Construído na Alemanha entre 1700 e 1710 pelo renomado mestre organeiro Arp Schnitger, o instrumento passou um período em Portugal antes de ser adquirido em 1747 pelo rei Dom João V. O monarca faleceu antes do envio, e foi seu filho, Dom José I, quem concretizou a doação à recém-criada diocese de Mariana em 1748, um dos centros da riqueza do ciclo do ouro no Brasil Colônia.

Enviado de navio de Portugal para o Rio de Janeiro, o órgão foi instalado na Catedral da Sé em 1753. Sua chegada a Mariana exigiu uma complexa operação logística: o instrumento foi transportado em partes por tropas de mulas, subindo a Serra da Mantiqueira em uma viagem que durou meses. Todo o esforço revela a importância dada ao órgão, que representava não apenas um item de devoção, mas também um símbolo de poder e prestígio para a nova diocese mineira.

Um tesouro do barroco

O órgão de Mariana é considerado um dos mais importantes instrumentos musicais históricos do mundo. Com 1.039 tubos, 17 registros e dois teclados manuais, sua sonoridade é uma representação fiel da estética barroca alemã. A estrutura, esculpida em madeira e decorada com detalhes folheados a ouro, integra-se perfeitamente à arquitetura da catedral, um dos ícones do barroco mineiro.

Sua raridade e valor cultural são imensos, sendo um dos pouco mais de 30 exemplares da manufatura Arp Schnitger que sobreviveram no mundo. Sua presença em Minas Gerais o transformou em um objeto de estudo para músicos e historiadores, que vêm a Mariana para conhecer de perto essa relíquia sonora.

Após uma complexa restauração realizada na Espanha, que resgatou suas características originais depois de nove anos de silêncio, o instrumento voltou a ser protagonista em missas, concertos e festivais de música. Hoje, o som do órgão alemão preenche novamente a Catedral da Sé, atraindo visitantes e fiéis para as celebrações do aniversário da arquidiocese e mantendo viva uma herança cultural de quase três séculos.

Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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