Uma empresa em Saint-Malo, na França, usa inteligência artificial para transformar as memórias de pessoas em autobiografias. O serviço atrai interessados em transmitir suas histórias para filhos e netos, mas que não sabem como colocá-las no papel por conta própria.

Gérard Sanchez, um criador de sorvetes de 75 anos, é um dos clientes. Com 60 anos de carreira e uma centena de sabores criados, ele quer deixar um legado para além de suas criações. "É um ofício muito efêmero, não deixamos nada", lamenta.

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Em 1992, ele abriu a primeira sorveteria artesanal da cidade. Para registrar essas e outras memórias, Gérard se reúne uma vez por mês com um assistente chamado Charlie. Ao longo de 12 horas de entrevistas, ele responde a 300 perguntas para o livro.

Como o serviço funciona

A empresa Elefantia, cofundada por Guillaume Besson, oferece duas modalidades. Na primeira, por cerca de cem euros, o próprio usuário insere suas lembranças em um aplicativo. A segunda opção é um acompanhamento presencial.

Nesse formato, um assistente vai até a casa do cliente para fazer as perguntas geradas pelo aplicativo e gravar as respostas. O custo do serviço é de 50 euros por hora. Segundo Besson, são necessárias de 10 a 12 horas de relatos para produzir um livro com 100 a 200 páginas.

A inteligência artificial organiza os capítulos e realiza a escrita, um processo que leva cerca de dez segundos para ser concluído.

Philippe Benzekri, de 66 anos, também recorreu à tecnologia para escrever o livro de sua vida em seis semanas. Ele afirma que não teria iniciado o projeto sozinho e, ao receber o exemplar, presenteou o filho Anaël.

Na obra, Philippe detalha sua infância, o casamento e a vida com os três filhos. "É muito comovente ver que haverá um registro do que meu pai pensa", afirma Anaël.

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Philippe ficou satisfeito com o resultado, sentindo que a IA capturou seu estilo e personalidade. Ele reconhece que a escrita é mais padronizada que a de um biógrafo, mas vê o serviço como um meio para que todos possam transmitir suas histórias.

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