SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O STF (Supremo Tribunal Federal) realizou nessa terça-feira (15) sessão para analisar a possível abertura de investigação sobre o ministro Alexandre de Moraes. O evento incluiu forte esquema de segurança integrado que contou com drones com câmera térmica.
Os drones térmicos captam o calor emitido por qualquer corpo ou objeto, não a luz visível como faz uma câmera comum. Segundo a empresa chinesa Dji, maior fabricante de drones do mundo, seu sensor converte essas diferenças de temperatura em um "mapa térmico" visual, onde áreas mais quentes destacam-se em cores fortes (como vermelho, laranja ou amarelo) e regiões mais frias aparecem em tons mais escuros (azul ou roxo).
- Como foi o papel de cada ministro em sessão tensa e inédita no STF
- STF em chamas: saiba tudo sobre as acusações entre ministros no caso Moraes
Como detecta calor corporacional, o drone térmico funciona com a mesma eficácia de dia ou durante a noite e consegue enxergar através de obstáculos visuais leves, como folhagens e fumaça. Além disso, segundo a The Drone U, plataforma líder de treinamento e capacitação profissional para pilotos de drones, ele cobre grandes extensões de terreno em questão de minutos de forma silenciosa e remota, oferecendo consciência situacional em tempo real para os agentes de segurança sem expor os policiais a riscos desnecessários em terra.
Leia Mais
No contexto do julgamento, os drones térmicos permitem vigiar áreas externas, perímetros de prédios públicos e grandes multidões, identificando instantaneamente a presença e a movimentação de indivíduos. Em eventuais situações de risco, a tecnologia ainda possibilita detectar pessoas escondidas atrás de barreiras, vegetação ou veículos, rastrear invasores em potencial e monitorar pontos de aglomeração para prevenir distúrbios, garantindo que as equipes em solo recebam coordenadas exatas para atuar preventivamente.
O planejamento de segurança do julgamento foi realizado de forma integrada entre a Secretaria de Polícia Judicial do STF, a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, o Comando Militar do Planalto, as Forças Armadas, o GSI (Gabinete de Segurança Institucional), a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e as forças de segurança do Distrito Federal.
A atuação conjunta, segundo nota divulgada pelo STF, inclui compartilhamento de inteligência, avaliação de riscos, definição de efetivos, revistas, bloqueios e restrições do espaço aéreo, além do monitoramento dos drones térmicos da Polícia Militar do Distrito Federal.
O acesso ao plenário é restrito a pessoas credenciadas. Todos os pontos de entrada tinham portais detectores de metais e equipamentos de raio-X. Celulares foram colocados em sacolas de segurança lacradas e deveriam permanecer desligados, e a Esplanada dos Ministérios ficou fechada na altura da Alameda das Bandeiras.
Os ministros tinham como objetivo decidir se deveria ser aberta uma investigação sobre Alexandre de Moraes no caso envolvendo elementos reunidos pela Polícia Federal sobre a relação do ministro com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A sessão, entretanto, foi suspensa após um pedido de vista (mais tempo para a análise) do ministro Flávio Dino. Ainda não se sabe quando o ministro devolverá o caso para a retomada da discussão. Pelo regimento interno do tribunal, Dino tem até 90 dias corridos para fazê-lo.
Também continua em aberto a questão de ordem levantada pelo ministro Gilmar Mendes para que a análise da situação de Moraes seja feita em conjunto com outro processo que investiga supostas irregularidades de André Mendonça na condução da relatoria dos casos Master e INSS.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
No resultado temporário proclamado por Fachin, foi formado um placar de 4 a 3 para que os casos não sejam julgados juntos, mas ainda não foi computada a posição de Dino, que também disse votar para que tudo seja analisado simultaneamente.
