Entre os dias 3 e 7 de setembro de 2026, a cidade de Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas, volta a se transformar no epicentro da inovação na América Latina. Chegando à sua 10ª edição, o HackTown projeta movimentar cerca de R$ 250 milhões em negócios, reunindo 15 mil participantes por dia, mil palestrantes, corporações globais, investidores e centenas de startups em um formato descentralizado e sem os limites de um centro de convenções tradicional.

Com uma programação estendida para cinco dias e dividida em 21 trilhas de conteúdo, o festival aposta na circulação urbana por ruas, cafés, praças e brechós para estimular conexões nas interseções entre tecnologia, empreendedorismo, liderança, cultura e saúde mental.

A história da cidade

Conhecida nacionalmente como o "Vale do Silício brasileiro", Santa Rita do Sapucaí é um ecossistema de inovação de cerca de 40 mil habitantes que combina o charme do interior mineiro a uma densidade tecnológica impressionante. 

Essa vocação começou a ser desenhada na década de 1950 por Luzia Rennó Moreira que, em 1959, fundou na cidade a primeira Escola Técnica de Eletrônica (ETE) da América Latina. O movimento pioneiro evoluiu nos anos 1980 com a criação do selo "Vale da Eletrônica" e, mais tarde, com a iniciativa Cidade Criativa, Cidade Feliz. 

Hoje, o município abriga mais de 200 empresas de base tecnológica e exporta anualmente cerca de 14 mil produtos diferentes, mantendo um ecossistema pulsante de startups que atrai talentos de todos os 27 estados do país e do exterior.

O ínicio do projeto

Nascido em 2016 dentro dessa atmosfera empreendedora da cidade, o HackTown é herdeiro direto do espírito de vanguarda local. Contudo, apesar dessa bagagem regional, o festival se consolidou por recusar o formato corporativo rígido dos grandes centros.

Em entrevista, o cofundador e CEO da Hackers, Marcos David, destacou que o crescimento do evento — que começou desenhado para apenas 50 pessoas e hoje atrai multidões — deve-se à sua capacidade de quebrar barreiras sociais e geográficas ao ocupar o espaço urbano de Santa Rita do Sapucaí.

"A pessoa que vem ao HackTown pela primeira vez precisa vir de peito e mente abertos para estourar bolhas. Nas capitais, as pessoas tendem a se relacionar dentro dos mesmos grupos. O festival foi desenhado arquitetonicamente na cidade para que as pessoas se encontrem pelas ruas, descubram novas lentes para enxergar o mundo e olhem para o futuro com mais esperança", destaca Marcos David.

O contraponto humano

Embora a Inteligência Artificial, as tecnologias emergentes, o marketing de dados e a governança corporativa liderem as discussões em 2026, a curadoria do evento propõe um contraponto centrado no protagonismo humano e na ética digital.

Para Marcos David, que tem formação em Engenharia de Telecomunicações e histórico em aceleradoras de tecnologia, a ascensão das novas ferramentas exige uma consciência coletiva:

"A inteligência artificial não é só uma ferramenta, é uma nova dimensão da nossa sociedade. Pelo fato de ser uma nova camada, ela vai carregar os nossos vícios e as nossas virtudes. Se a gente oferece tecnologia, dinheiro e criatividade sem consciência, a história nos mostra que a sociedade consegue gerar até uma bomba atômica. Para avançar no tempo como sociedade, precisamos unir as TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação) com o que chamo de TAC: a Tecnologia do Amor e da Colaboração", defende o executivo.

Plataforma de negócios sem burocracia

No braço de negócios, o HackTown Startups atua como uma ponte direta entre pequenas empresas e grandes corporações, sem a necessidade de estandes luxuosos. Por meio de rodadas de matchmaking personalizadas e da rotação diária de startups na feira, o festival já viabilizou mais de R$30 milhões em investimentos e operações de fusões e aquisições (M&A).

Além do volume de negócios digitais, a presença do evento injeta cerca de R$40 milhões diretamente na economia da região, mobilizando a rede hoteleira e de serviços de cerca de 46 municípios vizinhos.

O impacto se traduz ainda em benefícios diretos para a infraestrutura da comunidade local. Em edições anteriores, parcerias viabilizadas durante o festival resultaram na pintura do hospital da cidade com tintas doadas e na destinação de 200 toneladas de areia sustentável para quadras esportivas municipais. 

Em 2026, em parceria com a Tigre e a Prefeitura, o evento viabilizou um sistema tecnológico e ecológico de tratamento de esgoto para a Reserva Mitzi Brandão, santuário natural no centro da cidade que abriga espécies ameaçadas, como o lobo-guará.

A experiência se completa com um forte componente cultural e inclusivo: são mais de 100 shows que priorizam a a revelação de novos artistas — como ocorreu em 2018 com a cantora Marina Sena — e o projeto HackTownzinho, espaço totalmente dedicado ao estímulo do pensamento criativo e inovador para crianças.

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Imagens do Hacktown em Santa Rita do Sapucaí Divulgação/Hacktown
Imagens do Hacktown em Santa Rita do Sapucaí Divulgação/Hacktown
Imagens do Hacktown em Santa Rita do Sapucaí Divulgação/Hacktown
Imagens do Hacktown em Santa Rita do Sapucaí Divulgação/Hacktown

Serviço

  • Evento: HackTown 2026 (10ª Edição)
  • Data: 03 a 07 de setembro de 2026
  • Local: Santa Rita do Sapucaí – MG (diversos pontos da cidade)
  • Informações e Ingressos: www.hacktown.com.br
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