Centenas de famílias, distritos escolares e comunidades indígenas nos Estados Unidos processam a Meta, empresa de Mark Zuckerberg que controla o Facebook e o Instagram, por danos à saúde mental de jovens. O litígio, que ganhou notoriedade após o depoimento do CEO no Congresso americano em 2024, já resultou em condenações milionárias contra a companhia em 2026.
O caso está consolidado em um litígio multidistrital (MDL) que tramita em um tribunal federal na Califórnia, reunindo mais de 2.800 ações individuais. As famílias relatam como seus filhos desenvolveram ansiedade, depressão e outros problemas psicológicos graves após o uso contínuo das redes sociais.
Leia Mais
Zuckerberg testemunhará sobre dependência em redes sociais nos EUA
Começa julgamento nos EUA contra redes sociais acusadas de gerar dependência em crianças
O que motivou o processo contra a Meta?
O processo alega que a Meta projetou intencionalmente suas plataformas com recursos viciantes para maximizar o tempo de tela dos jovens, mesmo ciente dos riscos. A acusação central é de que a empresa priorizou o lucro em detrimento da segurança e do bem-estar de seus usuários mais vulneráveis.
Quais são as acusações das famílias?
Os documentos do processo detalham uma série de práticas que, segundo as famílias, contribuíram para a crise de saúde mental entre os jovens. As principais acusações incluem:
Design viciante: o uso de recursos como o "scroll infinito", notificações constantes e o sistema de "curtidas" para manter os jovens engajados de forma compulsiva.
Algoritmos prejudiciais: a promoção de conteúdos nocivos, como os que incentivam a comparação social, padrões de beleza irreais e desafios perigosos.
Ferramentas de segurança ineficazes: as medidas de proteção e controle parental são consideradas insuficientes para proteger os menores de idade de predadores e do cyberbullying.
Falta de transparência: a empresa é acusada de ocultar pesquisas internas que já indicavam o impacto negativo de suas plataformas, especialmente do Instagram, na autoimagem de meninas adolescentes.
Quais são os relatos por trás das acusações?
As histórias compartilhadas pelas famílias são o pilar da ação judicial. Elas descrevem jovens que passaram de crianças felizes e ativas a adolescentes isolados, obcecados com a aparência e com o número de seguidores. Os relatos apontam para o desenvolvimento rápido de quadros de ansiedade social, dismorfia corporal e distúrbios alimentares. Em casos mais extremos, o processo conecta o uso das plataformas a situações de automutilação e até suicídio.
O que já aconteceu nos tribunais em 2026?
O ano de 2026 marcou um ponto de virada no litígio, com decisões judiciais significativas contra a Meta. A empresa, que afirma planejar recorrer das decisões, já enfrenta as seguintes condenações e acordos:
Março de 2026: um júri em Los Angeles concedeu US$ 6 milhões a uma mulher, identificada como KGM, que desenvolveu um grave transtorno alimentar.
Março de 2026: no Novo México, outro júri condenou a Meta a pagar US$ 375 milhões por violar leis estaduais de proteção ao consumidor.
Maio de 2026: um júri em Los Angeles concedeu US$ 6 milhões a uma mulher, identificada como KGM, responsabilizando a Meta e o YouTube (do Google) de forma conjunta — a Meta ficou com 70% da responsabilidade e o YouTube com 30%. TikTok e Snap, também réus no processo, fizeram acordo com a família antes do julgamento ser concluído.
O próximo capítulo da batalha judicial está marcado para agosto. A seleção do júri começa em 12 de agosto, com declarações iniciais previstas para 18 de agosto, em Oakland, perante a juíza federal Yvonne Gonzalez Rogers. Nesse julgamento, quatro procuradorias estaduais pedem uma multa que pode chegar a US$ 1,4 trilhão, valor próximo ao valor de mercado da própria Meta. A empresa classificou o pedido como "sem paralelo" na história das leis de proteção ao consumidor e afirma que os cálculos dos estados não têm respaldo em provas. Em julho, a Justiça já havia negado um pedido da Meta para encerrar o processo antes do julgamento.
Qual o objetivo da ação judicial?
Embora compensações financeiras já tenham sido concedidas em alguns casos, as famílias e outras partes envolvidas afirmam que o objetivo principal continua sendo forçar a Meta a realizar mudanças sistêmicas em seus produtos. Elas exigem que a empresa redesenhe seus algoritmos e implemente mecanismos de segurança mais robustos para proteger crianças e adolescentes, buscando uma responsabilização duradoura da companhia pela crise de saúde mental que, segundo afirmam, ela ajudou a criar.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
