A era do vírus de computador que corrompia sistemas ficou para trás. O cibercrime agora foca na manipulação da mente humana, impulsionado pela Inteligência Artificial (IA) com mensagens de texto perfeitas, clones de voz realistas e robôs que conduzem fraudes de ponta a ponta.

O relatório Data breach tnvestigations report (DBIR) 2025, da Verizon, aponta que cerca de 60% das violações de dados bem-sucedidas no mundo envolvem o elemento humano, seja por meio de engenharia social, erro ou negligência.

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Segundo Rodolfo Almeida, COO da empresa de cibersegurança ViperX, as ameaças se tornaram ataques predominantemente psicológicos. A estratégia para invadir redes corporativas ou roubar dados pessoais explora a pressa e a hiperconectividade do cotidiano.

“A técnica continua existindo, só que agora ela vem embrulhada em um contexto de urgência, uma autoridade, em algo mais convincente”, explica Almeida. “O atacante percebeu que muitas vezes é mais simples convencer alguém a abrir a porta do que tentar arrombar a porta.”

Máquinas autônomas e a quebra da confiança

Cibercriminosos agora utilizam a engenharia social assistida por IA. Agentes autônomos entram em chats e conversam com as vítimas em tempo real para executar os golpes, o que personaliza as fraudes e eleva os prejuízos.

Almeida cita um caso recente no exterior em que um funcionário transferiu US$ 25 milhões para criminosos. A vítima acreditava participar de uma videoconferência com o diretor financeiro (CFO) da empresa.

“Ele quebrou um ritual de confiança que a gente aprendeu a usar. Até pouco tempo atrás, ver e ouvir alguém numa chamada parecia suficiente para atestar a identidade. Hoje não é mais”, adverte o executivo.

O perigo do ‘modo automático’ no celular

Neste novo cenário, qualquer pessoa se torna uma porta de entrada para ataques em larga escala. A diferença entre sofrer um golpe ou não pode estar em poucos segundos de desatenção ao celular.

“A gente faz muita coisa no automático. O WhatsApp toca, você está falando com alguém e acaba clicando em um link sem pensar”, afirma. Diante de interações quase indistinguíveis das reais, a necessidade é mudar o comportamento digital.

A nova regra da cibersegurança, segundo ele, é menos sobre tecnologia e mais sobre processo. “O ideal é confiar cada vez menos na aparência das coisas e mais na verificação. Sempre confirme os canais de comunicação e evite tomar decisões sob pressão”, explica.

Isso significa interromper o impulso de responder ou clicar imediatamente. A principal linha de defesa é criar o hábito de questionar, desacelerar e validar. “O maior risco hoje é a urgência artificial. Quando algo parece urgente demais, é justamente o momento de parar”, reforça Almeida.

Diante de qualquer contato inesperado, desconfie do formato, valide a origem e só então avance. Em um cenário em que o golpe se parece cada vez mais com a realidade, agir com calma passa a ser uma decisão consciente.

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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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