O avanço da inteligência artificial (IA) apresenta um paradoxo: nunca a utilizamos tanto, mas raramente refletimos sobre a energia necessária para sustentá-la. Na indústria, que caminha para a era 5.0, essa conta se tornou impossível de ignorar com a escalada de dados, máquinas sensorizadas e sistemas de IA.
O impacto energético é significativo. Estima-se que o bot da OpenAI consuma ao menos 500 mil kWh de energia para responder a 200 milhões de solicitações diárias. Segundo a revista The New Yorker, o volume é quase 17 mil vezes superior ao gasto médio de uma residência nos Estados Unidos.
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Uma pesquisa do The Washington Post indica que o GPT-4 pode demandar o equivalente a três garrafas de água para gerar 100 palavras, considerando cenários de eficiência dos datacenters. Com base nisso, o uso diário do ChatGPT equivaleria ao consumo necessário para encher 1.500 piscinas olímpicas apenas para o resfriamento de suas estruturas.
“A indústria como um todo já opera em um patamar 5.0, onde tudo gera dados, máquinas, sensores, hardware, trabalhadores, e tudo isso precisa ser processado quase em tempo real”, explica Andrey Nikollas Bucko, engenheiro eletricista na Reymaster Materiais Elétricos.
O desafio da Indústria 5.0
A energia se tornou um pilar do novo conceito industrial. Marco Stoppa, diretor comercial da Reymaster, afirma que o desafio é processar um volume massivo de dados sem pressionar o sistema elétrico. “A 5.0 traz um desafio novo: não basta ter sensores, conexão e IA. É preciso garantir que tudo isso opere com eficiência energética”, diz.
A resposta do mercado, segundo Stoppa, surge na forma de componentes mais compactos e de baixo consumo. “Enquanto a inteligência artificial aumenta o gasto energético global, o setor elétrico corre para equilibrar a balança. É aí que entram tendências que devem dominar a indústria em 2026”, aponta.
Tecnologias que equilibram a conta
Especialistas da Reymaster destacam três tendências que já respondem ao novo desafio energético:
1. CLPs compactos: os novos controladores lógicos programáveis (CLPs) chegam ao mercado com consumo reduzido e maior poder de processamento. A linha Siemens S7-1200 G2, por exemplo, reduziu a dissipação térmica em até 30% e a pegada de carbono em até 28%, enquanto dobrou o desempenho da geração anterior.
2. Iluminação industrial inteligente: o salto tecnológico é visível na eficiência. Luminárias antigas entregavam de 100 a 120 lm/W, enquanto modelos atuais atingem quase 200 lm/W. Produtos com o selo "Iluminação Ultra Efficient", da Philips, podem gerar uma economia de até 42% no consumo de energia.
3. Sensores eficientes: na Indústria 5.0, tudo produz informação, o que exige hardware e energia. A linha de sensores multimodo Telemecanique Sensors exemplifica a otimização, oferecendo várias funções em um único dispositivo, com alta flexibilidade e configuração simples.
"A tendência para 2026 aponta que a indústria vai consumir mais inteligência, mas vai exigir muito mais eficiência. Porque inteligência artificial sem controle energético não é solução; é problema para a fábrica, para o país e para o mundo”, conclui Stoppa.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
