A alegria de Bernardo Nogueira Dias, de 8 anos, esconde uma batalha que nenhuma criança deveria enfrentar. Ativo, brincalhão e sorridente, quem o vê correndo pela casa não imagina que ele luta contra um neuroblastoma estágio 4, câncer infantil agressivo com múltiplas metástases. Mas, além da doença, a família de Bernardo agora enfrenta um inimigo invisível e burocrático: a recusa do plano de saúde em cumprir uma ordem judicial.
O diagnóstico inicial veio em fevereiro de 2022. Na época, o tratamento foi feito via SUS, com a retirada de um tumor de 13 cm na adrenal direita (glândula endócrina situada acima dos rins), seguida de sessões de rádio e quimioterapia. Por quase dois anos, Bernardo ficou bem. No entanto, em novembro de 2024, após exame para saber o que eram dores persistentes nas pernas e nas costas, ficou constatado que a doença havia retornado, para aflição dos pais, a recepcionista Viviane Cristine Nogueira da Silva, de 37 anos, e o porteiro Anderson Dias, de 36.
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Desta vez, a quimioterapia convencional não surtiu o efeito esperado. Na Santa Casa, o prognóstico foi como uma sentença: os médicos afirmaram que "não havia mais jeito". Foi quando a família recorreu ao plano de saúde e encontrou uma fresta de esperança: a imunoterapia.
A chance de cura de Bernardo é o medicamento chamado Danyelza. O tratamento é complexo, realizado em ciclos de três doses - cada dose custa cerca de R$ 78 mil. Sem recursos para custear o medicamento, a família acionou a Justiça em setembro de 2025 para tentar o fornecimento pela operadora de saúde.
Em 19 de dezembro, uma decisão judicial favorável. O juiz determinou que o convênio médico autorizasse o tratamento em até cinco dias. O prazo venceu, e o silêncio da operadora foi interrompido apenas por um recurso judicial para tentar reverter a decisão.
"Estamos indignados. A doença não espera. Que valor tem a vida? Para um plano que ganha milhões, parece que a vida não tem valor algum", desabafa Viviane. Ela relata que uma médica do plano sugeriu a participação do menino em um estudo experimental na Flórida (EUA).
No entanto, a família não vê a proposta como uma certeza. Mesmo que custos como visto, passaporte, transporte, alimentação e hospedagem no país sejam garantidos, os pais do garoto, orientados por outro médico, descobriram que Bernardo poderia nem sequer preencher os requisitos para a pesquisa, que exige que o paciente já tenha passado pela imunoterapia sem sucesso — justamente o tratamento que o plano se nega a fornecer.
Enquanto o impasse jurídico se arrasta, Bernardo segue em quimioterapia paliativa, uma medida para tentar conter o avanço das metástases que já atingem ossos, medula, fêmur e fígado.
Corrente pela vida
Anderson conta que essa é uma luta que eles vêm enfrentando. "Estamos correndo atrás da medicação, a Justiça determinou e eles não cumprem. Pagam milhões de patrocínio a times de futebol e não tem como liberar a medicação para o meu filho, o que é praticamente a vida dele. Me sinto mal. O que estiver ao meu alcance eu farei, enquanto viver lutarei por ele. Jamais abrir mão", declara.
Bernardo não frequenta a escola há mais de um ano para evitar infecções, mas o desejo de voltar à rotina o mantém firme. "Ele quer a vida de volta", resume a mãe.
Sem o apoio do plano e com o tempo correndo contra, a família iniciou uma mobilização para arrecadar o valor necessário para, ao menos, iniciar o primeiro ciclo do remédio. Para quem deseja contribuir com o tratamento de Bernardo, qualquer valor pode ser enviado via PIX, pela chave 164 094 476 12.
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A reportagem acionou a operadora de saúde para esclarecimentos, mas até o fechamento dessa matéria não houve retorno.
