Com a chegada das temporadas de férias e feriados, o planejamento de viagens costuma focar em roteiros e malas, mas raramente na saúde física durante o trajeto. As longas horas de permanência na posição sentada em aviões, carros ou ônibus representam um risco silencioso para o assoalho pélvico. Segundo a especialista, a compressão contínua da região, somada à vibração dos veículos e à má postura, pode sobrecarregar a musculatura que sustenta órgãos como a bexiga e o útero, desencadeando desde desconfortos imediatos até quadros de dor crônica.
O problema central reside na estagnação da circulação e na pressão intra-abdominal elevada. A fisioterapeuta pélvica, Flaviana Teixeira explica que, ao ficarmos sentados por muito tempo, a musculatura pélvica tende a entrar em um estado de tensão constante ou, em alguns casos, de fadiga extrema. "Muitas pessoas ignoram que o assoalho pélvico é o 'chão' do nosso tronco e precisa de mobilidade. Quando ficamos travados na mesma posição por cinco, seis horas, prejudicamos a oxigenação desses tecidos, o que pode agravar sintomas de incontinência urinária e causar aquela sensação de peso ou pressão no final do dia", pontua.
Além dos problemas musculares, as viagens longas frequentemente alteram os hábitos fisiológicos, como o adiamento da ida ao banheiro, seja por falta de paradas ou por higiene precária em locais públicos. Essa prática, segundo a especialista, é uma das principais vilãs da saúde íntima feminina e masculina durante os deslocamentos. “Prender a urina por períodos prolongados ou ignorar o reflexo evacuatório desregula o funcionamento da bexiga e do intestino, aumentando consideravelmente as chances de infecções urinárias e constipação severa pós-viagem”, acrescenta.
Para mitigar esses impactos, a profissional defende que a prevenção deve começar ainda dentro do transporte. A recomendação é que o passageiro realize pequenos movimentos circulares com o quadril mesmo sentado e tente fazer "bombardeios" de contração e relaxamento leve para estimular a circulação local. "Não é necessário um exercício complexo; o simples fato de mudar o apoio do peso de um lado do quadril para o outro já ajuda a aliviar a pressão isquiática e dá um respiro para os nervos da região pélvica", orienta.
A hidratação também desempenha um papel estratégico, embora muitos viajantes evitem beber água para não ter que usar o banheiro. Flaviana esclarece que a urina muito concentrada é irritativa para a bexiga, o que pode gerar uma urgência miccional descontrolada e desconforto. A orientação é manter a ingestão hídrica constante e aproveitar cada parada ou oportunidade de caminhar pelo corredor do avião para despertar a musculatura. "O movimento é o melhor remédio contra a rigidez pélvica. Se você sabe que vai enfrentar um longo percurso, prepare o seu corpo como quem se prepara para uma maratona, respeitando os limites da sua anatomia", afirma.
O cuidado com o assoalho pélvico não termina ao chegar no destino. Flaviana Teixeira enfatiza que, caso surjam dores persistentes ou escapes de urina após o trajeto, é fundamental buscar uma avaliação especializada. A fisioterapia pélvica atua não apenas na reabilitação, mas principalmente na educação do paciente para que o lazer não se transforme em um problema de saúde. Ao integrar pequenas pausas e consciência corporal à rotina de viagem, é possível garantir que o único foco do viajante seja o descanso e o bem-estar.
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