A vacina é um dos aliados da população para frear o aumento de internações e casos de doenças respiratórias, típicos do outono
 -  (crédito:  CDC/Unsplash)

A vacina é um dos aliados da população para frear o aumento de internações e casos de doenças respiratórias, típicos do outono

crédito: CDC/Unsplash

Historicamente, o outono chega e traz com ele as doenças respiratórias. Segundo especialistas, é nesta época do ano que mais brasileiros buscam atendimento médico-hospitalar por conta dos sintomas como quadros de corrimento nasal, febre, tosse, cansaço e falta de ar, com necessidade de uso de oxigênio e, algumas vezes, suporte ventilatório em Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Por isso é indispensável se proteger para evitar as formas graves de resfriados, gripes, bronquiolites e pneumonias. A vacina é um dos aliados da população para frear o aumento de internações e casos de doenças respiratórias, típicos do outono.

A novidade é que existe um novo imunizante contra o vírus sincicial respiratório (VSR), conhecido por causar doenças respiratórias graves. Ele é indicado para imunização ativa e prevenção de doenças do trato respiratório inferior, causada pelos subtipos do vírus sincicial respiratório VSR-A e VSR-B. Segundo o epidemiologista do Hermes Pardini/Grupo Fleury, José Geraldo Ribeiro, foi o segundo agente que mais causou internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave em idosos no Brasil em 2023, sendo superado apenas pelo Sars-Cov-2, causador da COVID-19. De acordo com o médico, alguns estudos mostram inclusive uma maior letalidade pelo VSR do que pelo vírus influenza neste grupo.

“Em decorrência disso, há vários anos são estudadas vacinas para o VSR com o objetivo de proteção para os maiores de 60 anos de idade. Uma delas, Arexvy (fabricante: GSK), foi licenciada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e agora está disponível para os clientes dos serviços privados de vacinação no Brasil. Como a vacina demonstrou eficácia por duas temporadas do vírus, a recomendação atual é que seja aplicada em dose única, em qualquer mês do ano, apenas para pessoas a partir de 60 anos”, explicou o epidemiologista, José Geraldo Ribeiro.

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Segundo o boletim Infogripe, da Fundação Oswaldo Cruz, nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos com resultado positivo para vírus respiratórios foi de influenza A (23%), influenza B (0,4%), vírus sincicial respiratório (57,8%) e Sars-CoV-2/COVID-19 (10,7%). Entre os óbitos, a presença desses mesmos vírus entre os positivos foi de influenza A (32%), influenza B (0,3%), vírus sincicial respiratório (10,8%), e Sars-CoV-2/COVID-19 (53,9%).

Também de acordo com o Infogripe, o aumento médio das internações foi de 15% nas três primeiras semanas, em relação ao mesmo período do mês passado - principalmente por causa dainternação de crianças de até dois anos, que cresceu 46%. Dos 27 estados brasileiros, 20 registraram alta. Em Belo Horizonte, por exemplo, pela alta demanda, na última semana de abril, a Prefeitura disponibilizou, em hospitais da rede SUS-BH, 73 leitos hospitalares específicos para o atendimento de crianças com doenças respiratórias.

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Vale lembrar que a Sociedade Brasileira de Infectologia está com uma campanha para que as pessoas entendam - ou relembrem –a importância de tomar as vacinas. Para proteger contra doenças respiratórias existem as vacinas da gripe e pneumocócica.

A vacina Arexvy


Perguntas e respostas sobre o vacina vírus sincicial respiratório e a vacina Arexvy, por José Geraldo Ribeiro, epidemiologista do Hermes Pardini/Grupo Fleury

O que é Vírus Sincicial Respiratório (VSR)?
O VSR (vírus sincicial respiratório) é um vírus Rna que existe como dois subgrupos antigênicos, A e B, que podem circular juntos durante a mesma estação. Causa quadros respiratórios em todas as faixasetárias, mas é mais conhecido por causar doenças respiratória em bebês e crianças. No entanto, é um dos maiores responsáveis por internações por doenças respiratórias em maiores de 60 anos de idade. Entre os sintomas da doença estão o corrimentonasal e febre, que começam três a cinco dias após a infecção. O quadro pode evoluir para formas graves de acometimento respiratório.


Ele circula durante todo o ano?
Sim, mas a maioria dos casos geralmente ocorrem no inverno e no início da primavera. Nas Regiões Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste, a maioria dos casos acontecem entre os meses de março e julho; na Região Sul entre abril e agosto. Já na Região Norte, o maior número de casos acontece entre fevereiro e junho.

Qual o tratamento?
Infelizmente não há nenhum medicamento que combata diretamente o vírus. Mesmo os casos graves são tratados com recursos para manutenção da vida (hidratação, oxigenação, respiradores e outros).

Qual a sua importância como causa de doença grave nos maiores de 60 anos?
A Vigilância Epidemiológica do Brasil detectou a ocorrência de cerca de 640 casos graves da doença internados em 2023. Esse número é certamente maior, já que nem todos os hospitais fazem parte dessa rede de notificações. Dependendo das condições de saúde prévia do paciente, o percentual de óbitos chega a superar àquele dos casos de gripe (influenza).

Como é feita a imunização com a Arexvy, da fabricante GSK
A vacina é feita em uma única dose por via intramuscular profunda. Ainda não foi demonstrada a necessidade de reforços. A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) recomenda a vacina aos maiores de 60 anos, em qualquer mês do ano.

Ela pode ser aplicada no mesmo dia com outras vacinas?
Foi estudada a aplicação no mesmo dia que a vacina influenza (gripe), não tendo ocorrido diminuição importante da produção de anticorpos nem aumento relevante de eventos adversos. A Sociedade Brasileira de Imunologia (SBIm) recomenda, portanto, a aplicação no mesmo dia dessas vacinas. Em relação a outras vacinas, o médico deve avaliar a necessidade da aplicação simultânea.