Quem vencer a eleição presidencial neste domingo, 25, corre o risco de herdar logo após a posse os efeitos de uma crise provocada pela alta no preço do diesel. Relatório do Goldman Sachs aponta que a Petrobras pode ter de reajustar o combustível em cerca de 50% após o segundo turno das eleições presidenciais para alinhar os valores à referência internacional. Com a guerra no Oriente Médio, o preço do petróleo disparou e afeta o mundo todo. Um aumento dessa magnitude no principal combustível do transporte de cargas do Brasil teria impacto direto sobre o frete, a inflação e a já pressionada política de juros, além de elevar o risco de reação de caminhoneiros.

Segundo o banco americano, mesmo considerando as subvenções concedidas pelo governo federal, o preço do diesel no mercado doméstico está 21% abaixo da paridade internacional de importação. A manutenção dos preços locais abaixo do mercado externo só tem sido possível por causa do que o Goldman chama de “assimetria de subsídios”.

Essa assimetria, explica o banco, remunera os importadores de diesel em R$ 3,52 por litro, enquanto os produtores locais, como a Petrobras, continuam recebendo apenas R$ 2,12 por litro. Na prática, a estatal vende o combustível abaixo da paridade, enquanto os importadores são compensados para manter o abastecimento do mercado.

Caso essa distorção seja encerrada após a eleição, o banco calcula que a Petrobras teria de promover um aumento imediato de cerca de 50% no preço do diesel. O relatório aponta ainda o risco de uma alta adicional se a estatal decidir compensar o período em que o combustível permaneceu abaixo da paridade ao longo deste ano.

Sensibilidade política
Para o Goldman Sachs, a decisão sobre qualquer reajuste deve ficar para depois das urnas. “Acreditamos que a Petrobras provavelmente esperará o desfecho da eleição antes de tomar qualquer decisão sobre um potencial reajuste nos preços dos combustíveis, dada a sensibilidade política do tema no Brasil”, avalia a instituição financeira.

A avaliação coloca o próximo presidente diante de um dilema. Se autorizar o reajuste, o governo terá de lidar com o impacto sobre a inflação e o custo do frete. Se mantiver os preços represados, a conta recai sobre o caixa da Petrobras ou sobre o Tesouro, por meio da prorrogação de subsídios, em um momento em que a pressão sobre as contas públicas é apontada por economistas como o principal entrave à queda dos juros.

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O tema é sensível desde a greve dos caminhoneiros de 2018, que paralisou o país após uma sequência de altas no diesel e levou o então governo, de Michel Temer, a criar um programa de subvenção ao combustível.

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