A campanha de Lula aposta em levar às urnas, no próximo domingo, 25, parte dos 33,5 milhões de eleitores que não votaram no primeiro turno e, assim, tentar a virada sobre Flávio Bolsonaro. Essa cartada, porém, tem limite, como apontam os economistas Tiago Berriel e Mateus Della, do BTG Pactual. Eles estimam que, nas condições observadas até agora, uma redução da abstenção encurta a vantagem de Flávio, mas não é suficiente para reverter o resultado. Para isso, o comparecimento teria de crescer em uma escala nunca vista no país.

O histórico joga contra. Os economistas lembram que, do primeiro para o segundo turno, a abstenção costuma subir. Nas seis eleições presidenciais desde 2002, a mediana foi de alta de 1,97 ponto percentual. A única queda ocorreu em 2022, de 0,36 ponto. No primeiro turno deste ano, a taxa ficou em 21,08%. Para a dupla banco, uma redução de vários pontos percentuais no próximo domingo seria um evento sem precedente.

Os analistas do BTG partiram dos votos efetivamente registrados no primeiro turno e aplicaram as migrações declaradas nas pesquisas de intenção de voto. Nesse cenário, Flávio teria 52,1% dos votos dados a candidatos, contra 47,9% de Lula, uma diferença de 5,05 milhões de votos. Se ninguém deixasse de votar e os novos eleitores escolhessem Lula na proporção de 70% para 30%, seriam necessários 12,6 milhões de novos votantes. A abstenção cairia para 13,1%, um recuo de 7,95 pontos. As pesquisas, porém, indicam que Lula tem entre 53% e 65% dos votos de quem faltou no primeiro turno.

No cenário central do banco, com 5,5 milhões de eleitores entrando e 5 milhões saindo, a abstenção recua apenas 0,31 ponto. A diferença a favor de Flávio cai para 3,17 milhões de votos, e Lula sobe para 48,7% dos válidos. Na combinação mais favorável ao petista, a distância encolhe para 270 mil votos, um empate técnico. Em nenhuma das 27 simulações Lula assume a liderança. Mesmo no melhor caso, seriam necessários 9,7 milhões de novos votantes, com queda de 3 pontos na abstenção, quase dez vezes o maior recuo já registrado.

Há sinais a favor do PT. Nas seções em que Lula teve 70% ou mais dos votos válidos em 2022, a abstenção do primeiro turno caiu 1,57 ponto e chegou a 20%, o menor nível em quatro eleições. Já em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, que concentram 43,1% dos ausentes, a taxa subiu. Os economistas ressaltam que a estabilidade do índice nacional pode esconder entradas e saídas politicamente diferentes. Já a mudança do local de votação de 528 mil eleitores para o segundo turno mexe com milhares de votos, não com milhões.

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Na avaliação de Berriel e Della, o canal mais eficiente para Lula está fora da abstenção: a migração dos eleitores de outros candidatos, em que cada voto tirado de Flávio vale por dois. As pesquisas da semana dão ao petista entre 35% e 43% desse grupo, longe dos 70% necessários para empatar apenas por esse caminho. Até domingo, eles recomendam acompanhar essa divisão, o destino dos eleitores que pretendem voltar às urnas e qualquer sinal de desmobilização desigual entre as bases dos dois candidatos, algo que nenhuma pesquisa mede hoje.

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