O candidato Flávio Bolsonaro, do PL, tem emitido sinais contraditórios em relação à pauta fiscal. Ele promete um tesouraço, mas não detalha o que será feito, e ao mesmo tempo se compromete com medidas que podem elevar a renúncia fiscal.
No episódio mais recente, o senador prometeu recriar o Perse (Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos). O programa foi lançado em 2021, durante a pandemia, para socorrer empresas do setor de eventos e vigorou até 2025. No último período de vigência, de abril de 2024 a março de 2025, a renúncia fiscal com o programa chegou a R$ 15,7 bilhões.
Mais uma vez, Flávio não detalhou como seria a nova versão da iniciativa, qual será o impacto fiscal nem quais medidas vão compensar a perda de arrecadação, como determina a lei.
Um investidor estrangeiro ouvido reservadamente pelo PlatôBR afirmou que, caso seja eleito, Flávio terá um período de lua de mel com o mercado, com redução das expectativas de inflação, queda do dólar e alta da Bolsa de Valores. Se esse período vai durar seis meses, um ano ou apenas 60 dias dependerá das medidas que ele anunciar para reduzir o ritmo de crescimento da dívida pública.
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A campanha foi um deserto de ideias do ponto de vista econômico. Nem Flávio nem Lula detalharam que medidas serão tomadas para equilibrar as contas públicas. Os dois só prometeram aumento de gastos. A pauta fiscal é urgente, e se engana quem pensa que o mercado ficará passivo caso Flávio não tome medidas concretas para reduzir os gastos públicos, avaliou o investidor.
