Em Brasília, mais até do que quem venceu o debate da Band, ecoa nesta segunda-feira, 19, a pergunta sobre por que, como registramos, Lula e, principalmente, Flávio Bolsonaro fugiram do tema STF.

Alexandre de Moraes não foi sequer citado pelo candidato do PL.

Por quê?

A relação de Moraes com Daniel Vorcaro e as mensagens enviadas pelo banqueiro ao ministro cujo sigilo foi levantado por André Mendonça, então relator do caso Master levaram o presidente do Supremo, Edson Fachin, a marcar a fatídica sessão do dia 15 de setembro. Não se falava em outra coisa, inclusive na campanha de Flávio, que capitalizou o ambiente ao atrelar Lula a Moraes.

Naquela sessão, após reações sobretudo do decano, Gilmar Mendes, e do mais novo integrante da Corte, Flávio Dino, que defenderam que a postura de Mendonça fosse analisada junto com a de Moraes, nada ficou decidido.

Antes da sessão, o voto de Kassio Nunes Marques, ministro do STF e presidente do TSE nestas eleições de 2026, já era contabilizado nos bastidores como favorável à abertura de uma investigação sobre Moraes. Kassio, no entanto, pediu para sair logo no início da sessão, declarando-se impedido. Alegou estar presidindo o TSE, mas não era essa a razão. O ministro havia sido alvo de reportagens que também mostravam sua relação com Vorcaro, por meio de um contrato milionário envolvendo seu filho, advogado de 26 anos.

A ala do STF ligada a Moraes, mas não só, estranhou o fato de tudo isso não ter sido debatido no programa deste domingo, 18, uma vez que o Judiciário foi o assunto central de boa parte do primeiro turno. A crise esfriou. A temperatura diminuiu. Houve acordo para o silêncio ou nem foi preciso? O cenário calou Flávio e Lula, é fato.

Flávio limitou-se a dizer que Lula desmantelou a Operação Lava Jato “com seus amigos lá no Supremo”. Parou aí.

Lula, por sua vez, só se referiu a um ministro do STF quando, pressionado pelo adversário a tratar do caso Lulinha, citado nas investigações sobre as fraudes no INSS, disse que André Mendonça, relator do caso, é “amigo” de Flávio. Também não desenvolveu.

Flávio não mordeu a isca nem avançou no assunto. Não concordou nem discordou de Lula.

No mundo jurídico, a interpretação predominante é a de que as movimentações de Gilmar, Dino e Moraes desde a sessão do dia 15, somadas aos conflitos entre STF e TSE, tiveram o efeito de esfriar o assunto e deixar ambos os candidatos de mãos atadas.

Flávio sabe que tem seus próprios telhados de vidro e que Kassio Nunes Marques foi indicado por seu pai.

Lula também tem ciência de que é difícil se desvencilhar da imagem de Moraes, em razão das investigações sobre os atos de 8 de janeiro de 2023.

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Bingo. O caminho da “pacificação” entenda como quiser está pavimentado, seja com Flávio, seja com Lula eleito no próximo domingo, 25.

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