O bóton parlamentar, um broche oficial para identificar deputados e senadores, serve também como ímã para mulheres em Brasília.

É o que os próprios políticos dizem nas rodas de conversa.

Ímã para garotas de programa em restaurantes ou para mulheres, em qualquer lugar, interessadas em se aproximar de alguém com algum poder.

Durante entrevista recente, a ex-mulher de um presidente de partido escancarou o apelido usado em alguns desses casos e já bastante conhecido nos bastidores: Maria Emenda.

Brasília é uma tentação. Sempre foi. Todo mundo sabe, resumiu à coluna um deputado do Norte reeleito no último dia 4.

São poucos os políticos que desembarcam em Brasília com a mulher e os filhos. Apesar dos espaçosos apartamentos funcionais, a maioria opta por deixar a família no estado e viver sozinho, na ponte aérea.

De terça a quinta, principalmente, quando o centro do poder mais se movimenta, a turma estende o expediente no Congresso, e a noite termina, em muitos casos, em algum quarto de hotel ou em flats alugados. Nem todos têm coragem de levar visitas aos prédios amplamente vigiados e administrados com dinheiro público.

Desde antes do fenômeno Daniel Vorcaro, as noitadas em Brasília eram um desafio para a vida pessoal dos políticos, com impacto na atividade parlamentar.

Há os que encaram essas situações como parte da vida política e conseguem tocar o barco sem muito estresse. Mas, geralmente, brigas e divórcios motivados por traições provocam turbulências que desestabilizam emocionalmente muitos dos que habitam Brasília.

Certa vez, em dia de votação importante nesta legislatura que está prestes a terminar, um parlamentar foi convidado por outro a ir até o apartamento funcional dele no meio da manhã. Ao chegar, encontrou um ambiente bagunçado pela farra da madrugada e um senador abalado, completamente impossibilitado de levantar da cama.

É aquela história: cada caso é um caso. Alguns conseguem virar a página e superar as crises familiares. Mas, em geral, as turbulências de Brasília que desregulam a vida pessoal do político interferem na rotina parlamentar. Não tem jeito. São situações de estresse muito grande em casa. Tem gente que, depois de orgias e baladas, entra em depressão profunda, já preocupado com as consequências, comentou, sob reserva, claro, um ex-senador da República.

A cada leva de novatos em Brasília, como ocorrerá a partir de 2027, surge uma onda de relacionamentos abalados. Muitos, obviamente, chegam à Esplanada envaidecidos, deslumbrados com assessores, carros oficiais e palácios. E são estimulados pela própria família a viver esse período intensamente. Mas, no meio do caminho, quando ocorrem, as traições implodem esse clima festivo.

Não se trata de uma generalização. Há políticos que chegam e saem dos mandatos fiéis, com histórias de amor fortalecidas e juras de fidelidade eterna. Talvez sejam até maioria é difícil, convenhamos, fazer essa pesquisa. Mas o adultério é uma tormenta que alcança parlamentares de todos os espectros políticos, progressistas e conservadores, ateus e pastores evangélicos.

A coluna ouviu relatos sobre a existência de “casamentos de fachada” e relacionamentos abertos. Mesmo nessas condições, no entanto, a descoberta de traições provoca “constrangimentos terríveis”, disse um senador de meio de mandato.

“Ah, traição é sempre um baque, em qualquer modelo de relacionamento. Quando é descoberta e se torna pública, então, com holofotes, é um tremendo abalo de imagem na relação familiar. Aí envolve filhos e o político perde o prumo”, emendou o parlamentar.

Há uma diferença, porém, entre essas histórias terem potencial para prejudicar a rotina e a produtividade do parlamentar durante o mandato e se tornarem um obstáculo à carreira política. Praticamente todos os citados como possíveis participantes das festinhas de Vorcaro, por exemplo, tiveram sucesso nas urnas neste ano. Um candidato a governador que teve um vídeo com a amante vazado durante a campanha venceu no primeiro turno.

“A nossa sociedade está amoral”, disparou um deputado do Centro-Oeste. O Congresso é reflexo da sociedade.

Quando assumiu o mandato, anos atrás, um então suplente de senador foi convidado por uma experiente liderança para almoçar em um dos restaurantes tradicionais da capital federal. Na ocasião, recebeu um conselho do qual nunca se esqueceu.

“Ele segurou no meu braço e disse: ‘Não se renda aos encantos de Brasília. Traga logo a sua família para cá’. Eu me assustei e perguntei por quê. Ele continuou: ‘Os seus cabelos ainda estão pretos. Daqui a um tempo, vão ficar brancos e tudo isto aqui vai passar. E vai sobrar somente a família, se você tiver uma até lá. Eu, infelizmente, não tive quem me dissesse isso quando, muito novo, cheguei aqui’.”

Este parlamentar seguiu a recomendação. Trouxe a esposa e o casal de filhos, com quem mora até hoje no apartamento funcional. Ele foi reeleito em 2026.

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“Se não cuidar, o casamento não se sustenta mesmo. Porque, em Brasília, se o dia tivesse 36 horas, haveria trabalho para essas 36 horas. Você circula em festas interessantes, participa a todo instante de reuniões com gente importante. E a sua esposa? Está em casa, muitas vezes longe, no estado, cuidando das crianças. Muitos acham que as esposas estão inseridas neste mesmo mundo somente porque são esposas de parlamentar. Não estão. Entender isso ajuda muito”, acrescentou o político, que, agora com os cabelos menos pretos, conforme a profecia, passa os aconselhamentos adiante.

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