O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), está naquela situação que um legítimo representante do Centrão adora: ainda com poderes para tomar decisões que podem refletir de algum modo na corrida presidencial, ele vem sendo cortejado tanto por aliados de Flávio Bolsonaro (PL) quanto por escudeiros de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em resposta, tem calculado cada passo de olho a possibilidade de ser reconduzido ao comando da casa no próximo ano, mas dá sinais de que está mais disposto a atender um lado que o outro.
No momento, a balança de Alcolumbre parece pender para o lado de Lula. Após atender ao pedido do petista para colocar em votação ainda nesta semana a proposta que altera a Constituição e acaba com a jornada de trabalho 6×1, ele tem se mostrado disposto, segundo integrantes do governo, a também concluir a votação da PEC da Segurança antes das eleições. O texto-base já foi aprovado e o relator, senador Rogério Carvalho (PT), tenta chegar a um acordo para acelerar o processo na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e, em seguida, submetê-la ao plenário, com o beneplácito de Alcolumbre.
Assim como o fim da jornada 6×1, Lula quer ver a proposta aprovada para reforçar, ainda na campanha, o discurso de que avançou no combate ao crime — ele já chegou a prometer que, tão logo a PEC passe pelo Senado, pretende relançar o Ministério da Segurança Pública. O texto prevê também, entre outras coisas, uma maior integração entre as forças de segurança dos estados com os órgãos federais, motivo pelo qual chegou a ser criticado durante, por meses, por vários governadores.
Se de um lado vem sendo bem explorada por Lula, o desejo de Alcolumbre de seguir no comando do Senado a partir de 2027 também é usado pelos aliados de Flávio Bolsonaro, que o pressionam para que coloque em tramitação ainda neste ano um dos pedidos de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF. Senadores do PL argumentam, em favor da ideia, que se Alcolumbre der essa passo, aumentam sensivelmente as chances de ele contar, na tentativa de ser reconduzido, com o apoio da numerosa bancada do partido que toma posse no ano que vem — isso a despeito de o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, já estar trabalhando abertamente para disputar o posto de presidente do Senado.
O esforço da bancada bolsonarista, ao menos por ora, vem se mostrando inútil. Pessoas próximas a Alcolumbre garantem que, neste momento, consideram remotas as chances de ele dar início a um processo para tirar Moraes do Supremo. O ministro é bastante próximo o presidente do Senado. Foi ele, por sinal, quem costurou a reaproximação de Alcolumbre com Lula, após o estremecimento causado pela rejeição do nome do ministro Jorge Messias (Advocacia-Geral da União) para a vaga aberta no STF com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso. A lealdade ao amigo também inclui uma dose de autoproteção: assim como Moraes, Alcolumbre também foi pilhado em relações próximas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
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Outro pedido negado por Alcolumbre a aliados de Flávio Bolsonaro refere-se à votação em segundo turno da PEC da jornada 6×1. O compromisso de Alcolumbre com Lula prevê a conclusão da votação — em primeiro e segundo turnos — antes das eleições. A negativa do presidente do Senado ao pedido para jogar para mais adiante a conclusão da tramitação da proposta foi um dos fatores que levaram Flávio a recuar das críticas à redução da jornada e aniunciar que votará a favor da medida.
