Sergio Moro não apenas ganhou o governo do Paraná no primeiro turno. Saiu das urnas no último domingo, 4, com um ativo político que, há pouco tempo, parecia difícil de imaginar: a Lava Jato foi apresentada por ele como parte da explicação para a expressiva vitória eleitoral.
Na leitura do senador e, agora, governador eleito, o Paraná não comprou o que ele chamou de “narrativa” de que a operação foi marcada por abusos e irregularidades.
Em entrevista ao PlatôBR, Moro também disse que a insatisfação com o STF e o desgaste do governo Lula ajudaram a transformar a eleição paranaense em mais um sinal da mudança de humor político no país.
O ex-juiz não decreta o fim do PT, mas prevê um futuro difícil para o partido sem Lula.
Por que o Paraná elegeu o senhor e ainda escolheu dois senadores do mesmo campo político?
O Paraná tem orgulho da Operação Lava Jato. Assim como a maioria dos brasileiros, jamais caiu na narrativa de que houve irregularidades ou abusos. Sabe que foi a maior operação da história contra a corrupção no Brasil e que foi prejudicada, depois, por uma reviravolta política. Nada de jurídico houve na desconstituição das condenações. Também pesaram a credibilidade construída à frente do Ministério da Justiça e Segurança Pública e nesses quatro anos como senador. Isso fez com que os paranaenses me escolhessem para conduzir o nosso plano de governo, que foi muito bem construído, fundado em ideias que nós defendemos, como a liberdade econômica, o enfrentamento à criminalidade e a retomada da agenda anticorrupção, além de tratar de pautas sociais importantes. Os dois senadores foram eleitos como integrantes da nossa chapa. Vieram juntos e, claro, também com brilho próprio. Ambos eram candidatos de oposição ao governo Lula. Deltan Dallagnol, por ter participado da Lava Jato, e Filipe Barros, por ser um membro relevante da oposição a Lula na Câmara nos últimos tempos. Tudo isso levou a esse resultado positivo, de vitória no primeiro turno. Uma eleição que foi difícil, suada, mas muito expressiva. Ganhamos em 287 dos 399 municípios do Paraná.
O senhor acredita que houve relação entre o resultado das urnas no país inteiro e a crise no STF?
A crise do Supremo teve, sim, relevância no resultado das urnas. Abusos reiterados de ministros do Supremo, que esqueceram que estão subordinados à lei e não acima dela, fizeram com que a insatisfação popular rejeitasse o candidato identificado com esses abusos, Lula. Mas, primordialmente, foi um péssimo governo Lula, com juros nas alturas, famílias endividadas e inflação nos supermercados, que determinou o resultado negativo nas urnas. Acreditamos que, no segundo turno, Lula será derrotado mais uma vez e, com isso, o país voltará a ter esperança em um futuro melhor.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Quando o senhor esteve à frente da Lava Jato, decretaram o fim do PT. Depois disso, o PT voltou e Lula foi eleito novamente presidente. Agora, volta-se a falar em fim do PT. O senhor acredita?
É muito cedo para se falar em fim do PT. Mas, com a aposentadoria definitiva de Lula, e tendo em vista a dependência que existe entre o PT e Lula, o partido vai enfrentar um grande desafio, um grande ocaso no futuro próximo e deve cair de relevância como força política. Se será possível se reerguer ou não, há uma dúvida. O partido ficou manchado, como o partido da corrupção, porque teve o escândalo do mensalão, as descobertas que a Lava Jato fez, os escândalos de corrupção envolvendo a Petrobras, principalmente, e agora toda a história do Lulinha, da Roberta Luchsinger, do roubo dos aposentados e pensionistas do INSS e o próprio Banco Master. Então, é um partido que a população brasileira reconhece como identificado com a corrupção, uma marca que é muito difícil de retirar. Eu diria que 2022 foi um acidente histórico: a volta de Lula. Ele foi beneficiado por decisões judiciais erradas, que deram uma aparência de legitimidade que ele não tinha. E havia uma insatisfação com o governo de Jair Bolsonaro, então, que levou a um resultado, a meu ver, ilusório de que o PT teria retornado. Se houve uma oportunidade de retorno, ela foi desperdiçada por eles pela péssima gestão do governo Lula.
