O resultado do primeiro turno das eleições evidencia a perda de influência de uma parcela dos bispos católicos.

Embora não tenha pedido escancaradamente votos a Lula, a ala puxada pelos chamados “bispos amazônicos”, como esta coluna mostrou, atuou na reta final da campanha como parte de uma estratégia eleitoral.

Até hoje, 5 de outubro, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) não se posicionou sobre a informação de que os vídeos divulgados por religiosos a uma semana do pleito, com pedidos de “voto consciente” e menções à “soberania”, bandeira de campanha de Lula, haviam sido uma iniciativa da própria entidade.

Acreditava-se que o voto católico lulista ou anti-Bolsonaro seria reforçado também pela notícia, sem sustentação factível até aqui, de que Flávio Bolsonaro retiraria, se eleito presidente, o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida.

A frustração da campanha do PT com os números do primeiro turno não deixa de ser uma derrota para a ala engajada da CNBB, um grupo que, durante décadas, se entendeu, com imensa capacidade de mobilização, como porta-voz da Igreja Católica no Brasil.

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A descredibilização de parte dessa ala, no entanto, tem ocorrido por dentro: no próprio episcopado, que, de maneira mais silenciosa, dá sinais de que não suporta a persistente tentativa de hegemonia do pensamento ideológico entre os bispos. Há, ainda, e não é pouco, a resistência entre fiéis, inclusive fora da bolha dos conservadores.

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