Vinte anos atrás, quando o então juiz Flávio Dino deixou a toga para disputar, com êxito, uma vaga de deputado federal pelo PCdoB do Maranhão, perguntaram a ele se tinha consciência do que estava fazendo.

“Se não der certo, faço concurso de novo e volto para a magistratura”, respondeu, sem pensar muito.

A cena é relembrada para ilustrar o que se considera uma autoconfiança ou autossuficiência do hoje ministro do STF.

De maneira unânime, a classe política credita ao Supremo o desempenho de Flávio Bolsonaro e da direita no primeiro turno das eleições.

E há quem avalie que, dentro da crise, o fator Flávio Dino tenha um peso significativo. Surgiu até um nome para isso nos bastidores: “Dinocracia”.

Como esta coluna mostrou, não se descarta um retorno de Dino à política partidária em 2030, eventualmente.

É nesse contexto que quem conhece Flávio Dino diz saber que ele não engolirá a avaliação consensual sobre a influência da situação no Supremo no resultado das urnas e vai “dobrar a aposta” nas próximas três semanas.

Advogados com trânsito em tribunais superiores e lideranças políticas já aguardam, neste intervalo entre os dois turnos presidenciais, eventuais operações autorizadas pelo ministro do STF para atingir, direta ou indiretamente, o xará Flávio Bolsonaro.

Na bolsa de apostas de Brasília, fala-se, por exemplo, em Dino usar as investigações sobre desvios de emendas parlamentares para alvejar aliados do bolsonarismo. Ou ir para cima de Willer Tomaz, parceiro de advocacia e amigão de Flávio Bolsonaro.

O deputado Cezinha de Madureira (PL-SP) também é apontado como alvo potencial, em razão da relação dele com o ministro do STF André Mendonça. Dino teria a crença de que, ao atacar a honra de André, ajudaria a desconstruir o filho do ex-presidente.

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Brasília não vai acalmar.

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