A visita de Estado do presidente da China, Xi Jinping, aos Estados Unidos, programada para começar na próxima quinta-feira, 24, está carregada de expectativas e pode favorecer o Brasil e os demais mercados emergentes. O encontro do chinês com Donald Trump pode distensionar a economia global diante dos constantes atritos entre os dois países, que começaram com o tarifaço e se estendem a temas delicados como a corrida armamentista em curso no planeta e a inteligência artificial.
A tendência é que propostas de cooperação em inteligência artificial e discussões sobre reduções tarifárias para produtos não estratégicos sejam assinadas pelos dois presidentes, conforme notícias da imprensa americana. As reuniões preparatórias foram conduzidas pelo secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, e pelo vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng. No caso da inteligência artificial, Estados Unidos e China têm convivido com polêmicas. Autoridades e empresas americanas afirmam que companhias chinesas utilizam modelos desenvolvidos nos Estados Unidos para aprimorar seus próprios sistemas, o que é negado por Pequim.
Para o economista-chefe do banco Pine, Cristiano Oliveira, o resultado da visita de Estado poderá influenciar os fluxos de capital, as moedas e os preços das commodities, com efeitos relevantes para os mercados emergentes, incluindo o Brasil. Segundo ele, uma trégua duradoura tende a reduzir a aversão ao risco e favorecer os investimentos em ativos de economias em desenvolvimento. Em um ambiente de mercado com menos tensões, os investidores têm mais confiança para buscar oportunidades fora do circuito tradicional de menor risco.
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Por outro lado, caso os atritos entre os dois países aumentem ou novas tarifas e restrições tecnológicas sejam impostas, a tendência é de encarecimento do dólar e de maior instabilidade para os mercados de ações. “Ao longo do tempo, os impactos comerciais também devem ser distintos: economias integradas às cadeias industriais chinesas podem se beneficiar de maior previsibilidade, enquanto exportadores de commodities, como o Brasil, poderão enfrentar maior concorrência caso Pequim amplie suas compras de produtos americanos”, avalia Oliveira.
