Faltando menos de duas semanas para o primeiro turno das eleições, as campanhas dos dois candidatos que lideram a corrida presidencial traçam suas estratégias para a reta já em clima de segundo turno. Tanto Luiz Inácio Lula da Silva quanto Flávio Bolsonaro pretendem dar atenção especial à região Sudeste, que concentra 41,8% do eleitorado brasileiro, com os três maiores colégios eleitorais do país — São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Há, porém, outros planos sobre a mesa de um lado e de outro para esta reta final.

Embora o foco principal esteja no Sudeste, os dois candidatos não querem descuidar do Nordeste. Lula deve fazer comícios nos próximos dias em Pernambuco e em Alagoas, enquanto Flávio Bolsonaro se programou para começar a semana no Rio Grande do Norte e no Maranhão. A campanha petista também prepara eventos temáticos no Rio de Janeiro, entre eles um encontro com artistas na Fundição Progresso e outro com evangélicos. Antes, porém, Lula participará da abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York, onde pretende usar o discurso desta terça-feira, 22, para explorar temas caros para sua tática eleitoral. Após as visitas ao Nordeste, Flávio retorna ao Sudeste, com eventos em Minas Gerais na quinta-feira, no Rio na sexta e em São Paulo no sábado.

De parte a parte, a estratégia dos discursos também está sendo minuciosamente alinhada pelas equipes dos dois candidatos. Com as pesquisas das últimas semanas apontando um empate técnico, a ordem nas campanhas é seguir com os ataques diretos. Flávio Bolsonaro continuará investindo em dois principais eixos principais: pretende repetir que será firme na segurança pública, mirando as facções criminosas as milícias, e ainda explorar as críticas ao quadro geral da economia — repetindo, por exemplo, que se for eleito o governo não vai gastar mais do que arrecada. Na avaliação de aliados do candidato do PL, a perda do poder de compra serviu no país serviu para virar votos de indecisos nos últimos meses.

Já Lula, que semana passada reajustou o Bolsa Família e anunciou o fornecimento de canetas emagrecedoras pelo SUS, medidas consideradas eleitoreiras, pretende mirar no combate às apostas online. O governo avalia a edição de uma medida provisória criando limites para a atuação das bets. Apesar da resistência de setores que são patrocinados por casas de apostas, como clubes de futebol, aliados do presidente e candidato à reeleição avaliam que a ofensiva contra as apostas tem potencial para conquistar a adesão de mulheres, especialmente as evangélicas, que reclamam do endividamento das famílias em razão das bets.

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O cenário nesta reta final ainda é incerto quanto à participação dos candidatos em debates. As duas campanhas ainda avaliam a conveniência de participar. No caso de Lula, parte do PT acha importante que ele vá ao último debate, marcado para 1º de outubro, na TV Globo, três dias antes da votação. A decisão ainda não foi tomada pelo petista. A campanha de Flávio Bolsonaro, por sua vez, definiu que ele só participará de debates com a presença de Lula.

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