O tom que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende adotar em seu discurso na abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), na próxima terça-feira, 23, será de total antagonismo retórico com Donald Trump. A postura, dizem auxiliares, está em linha com as expectativas da comunidade internacional em relação à posição do Brasil diante de temas considerados sensíveis, mas objetiva principalmente a repercussão no cenário interno, com a aposta de que o petista cresce em popularidade quando rivaliza com Trump.
A ideia é reavivar o tema da soberania, escolhido por Lula como central, mas que ficou em segundo plano nos últimos meses após o cenário eleitoral ser engolido por escândalos de corrupção que colocaram tanto a campanha quanto o governo na defensiva. No discurso de abertura da Assembleia Geral, o presidente-candidato não mencionará Trump diretamente, nem os Estados Unidos, mas buscará apresentar sua visão sobre os problemas mundiais, em uma linguagem mais polida, aproveitando o palco privilegiado da ONU.
Na visão de auxiliares de Lula, o Brasil é muito beneficiado pela rito da Assembleia Geral por ter a prerrogativa de fazer o primeiro discurso depois do secretário-geral das Nações Unidas, anfitrião do encontro, e antes de o presidente dos Estados Unidos falar. “É quando a maioria dos chefes de Estado está lá para acompanhar os debates”, observa um auxiliar do presidente brasileiro.
Assessores do Palácio do Planalto apontam como exemplo de bom desempenho de Lula perante Trump, inclusive do ponto de vista eleitoral, a postura adotada nas negociações do tarifaço e na oposição à intervenção americana nas eleições brasileiras. Eles lembram a entrevista concedida pelo petista ao final de sua participação no G7, em junho deste ano, em Évian-les-Bains, na França. Na ocasião, Lula exortou Trump a “não se meter” nas eleições brasileiras. Logo na sequência, experimentou um bom desempenho nas pesquisas eleitorais.
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Em eventos de campanha e outros compromissos oficiais nos últimos dias, Lula tem buscado criar expectativas sobre o posicionamento que pretende adotar na ONU, ao dizer que terá um “bate-papo” com Trump — muito embora não haja qualquer previsão de reunião bilateral entre os dois.
