O reajuste de 15,04% no Bolsa Família anunciado nesta quinta-feira, 17, pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, foi criticado por investidores, banqueiros e economistas ouvidos pelo PlatôBR. A medida tem sido classificada reservadamente como uma “bondade eleitoral” diante da proximidade para o primeiro turno das eleições. 

O principal ponto de desconforto do mercado com o anúncio foi a forma atabalhoada como o reajuste foi comunicado, em um rápido pronunciamento dos ministros Dario Durigan (Fazenda), Bruno Moretti (Planejamento) e Wellington Dias (Desenvolvimento Social), no Palácio do Planalto, sem a apresentação de todos os dados, sobretudo os que mostram a abertura de um espaço fiscal que garanta recursos para bancar a correção no valor do benefício.

Para analistas e investidores, a decisão de Lula de reajustar o benefício eleva o nível de incerteza sobre o compromisso do petista com as contas públicas. A decisão foi tomada 17 dias após o presidente receber empresários e banqueiros em um jantar no Palácio da Alvorada e ser cobrado por sinalizações claras de compromisso com a redução do ritmo de crescimento da dívida pública.

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Para um executivo de um grande banco brasileiro, o reajuste vai no sentido contrário do que tem o mercado tem pedido a Lula. “Ao invés de anunciar medidas para reduzir o crescimento da despesa pública, o presidente simplesmente contratou um crescimento dos gastos”, disse. Outro fator de desconfiança tem relação com a justificativa apresentada por Moretti, que afirmou que houve uma abertura de espaço fiscal nas despesas previdenciárias. Nos últimos anos, o governo subestimou esse gastos e os analistas estão surpresos com a possibilidade de redução de R$ 22 bilhões de despesas com o pagamento de benefícios do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) em 2027. 

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