O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), deu nesta terça-feira, 15, o passo que faltava à ala alinhada a Alexandre de Moraes para adiar a análise das acusações que pesam contra o colega no caso Master. Ao pedir vista, Dino interrompeu o julgamento da questão de ordem de Gilmar Mendes também alinhado a Moraes , que propunha analisar em conjunto os pedidos de investigação contra Moraes e contra André Mendonça.
A cartada final de Dino coroou uma sequência de “firulas regimentais”, questionamentos e manobras para empurrar com a barriga a apuração sobre a relação de proximidade entre o aliado e o banqueiro Daniel Vorcaro.
O PlatôBR listou os dez movimentos que ajudaram a postergar a investigação.
1. Pedido de vista de Dino Flávio Dino interrompeu o julgamento e abriu prazo de até 90 dias, prorrogável por igual período, para devolver o caso ao plenário.
2. Moraes x Mendonça Moraes pediu que sua situação fosse julgada junto com a de André Mendonça, condicionando a análise das acusações contra si ao exame da conduta do colega.
3. Questão de ordem Gilmar Mendes recorreu a uma questão de ordem para introduzir novas discussões processuais antes que o plenário enfrentasse o mérito do caso Moraes.
4. Disputa pela relatoria Dino questionou a condução do caso por Edson Fachin, enquanto o presidente do STF rebateu que não havia destituído Mendonça da relatoria, deslocando o debate para as regras internas da corte.
5. Tentativa de adiar a sessão Gilmar Mendes havia pedido previamente a Fachin o adiamento do julgamento e a reunião dos processos de Moraes e Mendonça para ampliar a instrução antes da decisão.
6. Dados do celular de Vorcaro Gilmar e Zanin pediram acesso integral aos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, acrescentando uma nova etapa de análise das provas antes do julgamento.
7. Questionamento das provas Moraes acusou Mendonça de selecionar os elementos divulgados pela investigação e pediu acesso a novos documentos e o levantamento de sigilos para contestar a forma como o relatório foi produzido.
8. Investigação contra Mendonça Moraes pediu a abertura de investigação contra o colega por sua atuação no caso Master, deslocando parte da pressão sobre si para o próprio ministro responsável pelo relatório da PF.
9. Contestação do relatório da PF a PGR questionou a validade do relatório produzido por Mendonça e pediu seu arquivamento, abrindo uma frente processual para barrar a análise do conteúdo antes do mérito.
10. Mudança de foco Moraes passou a sustentar que sua inclusão no caso resultou de uma ofensiva política de aliados de investigados pelo 8 de Janeiro, transferindo o debate da relação com Vorcaro para a suposta motivação da investigação.
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A estratégia que resultou no adiamento da decisão acerca da investigação sobre Alexandre de Moraes não deve ser explorada apenas pela ala que se posta ao lado do ministro. A tendência é que o mesmo arsenal possa ser reproduzido do outro lado do ringue, por André Mendonça, na sessão que está marcada para 23 de setembro. É quando o plenário deverá analisar as acusações feitas por Moraes contra Mendonça.
