O que dá para prever de uma sessão imprevisível no STF nesta terça-feira, 15?

Há poucas pistas aqui e acolá, com base no histórico de alguns ministros e nas movimentações internas do Supremo, que esbarram em consequências eleitorais.

“Tudo muito incerto. Quem falar que sabe o que vai acontecer está mentindo. A coisa está muito esquisita. Está tudo bagunçado. O clima entre eles é muito ruim. Uma briga sem fim”, disse à coluna o presidente de um grande partido.

Ninguém quer se meter na situação atual da corte. Um ex-ministro do STF, por exemplo, disse que não daria qualquer declaração, nem mesmo em reservado, para não colocar “lenha na fogueira”. “Não é hora de falar”, justificou. O único dos ex-integrantes a falar abertamente até aqui tem sido Marco Aurélio Mello.

Entre lideranças políticas e jurídicas que aceitaram conversar com o PlatôBR sob a condição de anonimato, há quem acredite que o jogo, sem incluir André Mendonça, será combinado até o momento da sessão. 

“Na ala do Alexandre de Moraes, algum acordo está sendo feito. A crise é tão profunda e atinge tantos atores, que eles vão previamente costurar algo, com certeza absoluta, disse um ex-parlamentar que mantém contato com ministros.

Uma das dúvidas é se tentarão impedir algum ministro de votar ou mesmo de participar da sessão.

Uma das certezas é a de que a sessão não trará um desfecho para o caso envolvendo Moraes e as relações com Daniel Vorcaro, embora seja quase consensual que, mais cedo ou mais tarde, o STF será praticamente obrigado a autorizar a investigação.

“Não sairá nada de decisivo. E a tendência é postergar decisões contundentes”, opinou outra liderança política com trânsito no STF.

“Será, no máximo, um circo de faz de conta”, resumiu, com mais acidez, um ex-ministro de tribunal superior.

André Mendonça, que liberou, no “Moraes Day”, a divulgação das mensagens de Vorcaro para o ministro, está recolhido. A última manifestação pública dele, além dos despachos, foi um vídeo, dez dias atrás, agradecendo orações. Brasília tem certeza de que ele será alvo de Moraes e companhia na sessão. A operação da Polícia Federal autorizada por Flávio Dino na véspera da sessão é vista como confirmação disso.

Outra aposta é a de que a sessão, televisionada ao vivo, será marcada por debates acalorados, confusões, enfrentamentos e cenas “muito ruins” para o país.

“Será o ponto mais baixo da democracia brasileira. E executada por quem deveria protegê-la. Espero agressões verbais abaixo da linha da cintura, dedos em riste, ameaças veladas e muito constrangimento”, afirmou um advogado que atua no STF.

“Se só brigarem e não chegarem a um acordo de procedimento, com prazos e condições para a investigação de Moraes, a crise vai escalar ainda mais. Não vai ser bom para ninguém”, disse outro.

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O menos provável, ao menos na avaliação de interlocutores ouvidos pela coluna, seria a nulidade total das mensagens divulgadas e o arquivamento do caso. Nessa hipótese, o entendimento é de que a reação popular seria “muito grande”, com impacto eleitoral ainda mais positivo para o candidato Flávio Bolsonaro.

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