José Roberto Arruda (PSD) já protagonizou ressurreições políticas que pareciam improváveis até para os padrões de Brasília. Em 2001, chorou na tribuna do Senado ao negar participação na quebra do sigilo do painel da sessão que cassou Luiz Estevão, invocando a própria honra e os filhos; depois, admitiu sua participação no episódio e renunciou ao mandato. Parecia o fim. Não foi.
No ano seguinte, voltou pelas urnas como o deputado federal mais votado do Distrito Federal e, em 2006, conquistou o Palácio do Buriti. Nem a prisão em meio à Operação Caixa de Pandora, em 2010, nem os anos de inelegibilidade apagaram completamente seu patrimônio eleitoral. Fora das urnas, ainda viu Flávia Arruda, então esposa do ex-governador, transformar parte desse espólio em votos e chegar à Câmara como a deputada mais votada do DF em 2018.
Mas o Arruda de 2026, disposto a reocupar o Palácio do Buriti, parece encontrar um adversário que nunca conseguiu derrotá-lo antes: o desgaste do próprio tempo. Se em agosto o Datafolha mostrava Celina Leão (PP) e Arruda tecnicamente empatados, com 30% e 28%, a fotografia mais recente é brutalmente diferente: a atual governadora saltou para 40%, enquanto o ex-governador despencou para 17%, emparelhado com Leandro Grass (PT), que tem 16%, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
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A pergunta que começa a circular em Brasília é inevitável: Arruda perdeu a mão ou sua histórica máquina de “caça votos”, capaz de sobreviver a escândalos, prisão e inelegibilidade, começa a dar sinais de problemas? Pelo recorte de hoje, aquele político que tantas vezes voltou quando todos o davam como acabado pode ter de protagonizar, talvez, a mais difícil de suas tentativas de ressurreição no cenário eleitoral de Brasília.
