A julgar pelo clima de desconfiança reinante no STF (Supremo Tribunal Federal), a crise está longe de terminar, mesmo após as decisões tomadas pelo presidente da corte, Edson Fachin, para tentar encaminhar uma solução. Se antes a guerra era travada essencialmente entre André Mendonça e Alexandre de Moraes, agora há outra frente sensível envolvendo Mendonça e Flávio Dino — e, dentro dela, também sobram suspeitas e acusações. Interlocutores de Dino dizem, por exemplo, que ele acredita que André Mendonça destituiu Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal porque queria evitar operações contra alvos ligados ao bolsonarismo no inquérito que apura a destinação de emendas parlamentares para o filme “Dark Horse”, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Mendonça, na visão de Flávio Dino, teria recebido informações sobre a operação deflagrada nesta quinta-feira, 10, e, a partir disso, decidido afastar a cúpula da PF. A autorização para a operação foi assinada por Dino em 3 de setembro e, de acordo com fontes próximas ao ministro, não foi deflagrada antes por questões de planejamento. A queixa de Dino sobre o colega foi levada a Fachin na tarde desta quarta, 9, antes de o presidente da corte suspender tanto a liminar que afastava Rodrigues quanto a que o reconduzia ao posto.

A Fachin, Dino reclamou que, ao afastar o diretor, Mendonça acabou por paralisar a PF. Nessa mesma conversa, ainda de acordo com fontes próximas ao ministro, ele também teria dito que a Fachin que essa primeira operação, que teve como alvo principal o deputado Mário Frias (PL-RJ) não é nem a principal do caso — uma indicação clara de que outras de maior monta e contra alvos mais graduados pode estar a caminho.

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Horas antes, também em conversa com Fachin, André Mendonça havia exigido a anulação da liminar de Dino que reintegrou Andrei, alegando que a medida o desautorizava e, além disso, atropelava o próprio presidente do tribunal.  O PlatôBR entrou em contato com o gabinete de Mendonça para ouvi-lo sobre as desconfianças de Dino e a resposta, enfática, foi a seguinte: “A informação não procede e beira a irresponsabilidade, pois não encontra qualquer lastro na realidade. Nenhum diretor da PF coordena ou preside investigações policiais”.

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