O grau de imprevisibilidade em Brasília aumentou ainda mais com a decisão do ministro André de Mendonça, nesta terça-feira, 8, de afastar temporariamente o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
A decisão foi tomada na análise de um pedido do partido Novo, que solicitou a adoção de “providências necessárias à preservação da independência, da integridade e da efetividade das investigações em curso”, após as menções a Andrei Rodrigues encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro.
O clima no centro do poder é de consternação e espanto diante da constatação de que a crise sem precedentes no STF está escalando.
“André Mendonça está ferindo todo o espírito de corpo que o STF sempre procurou manter”, disse à coluna um advogado com trânsito nos tribunais superiores.
Um senador da República resumiu a primeira reação no mundo político: “Lula vai cumprir a decisão de Mendonça?”.
Outro parlamentar, da base governista, avalia que os movimentos do ministro “reforçam que ele escolheu um lado” na disputa eleitoral. O deputado petista Rogério Correia vai além. Para ele, Mendonça se tornou “cabo eleitoral confesso de Flávio Bolsonaro” e age com “total parcialidade” a menos de um mês das eleições.
As pesquisas Quaest e Nexus reforçaram, nos últimos levantamentos, a percepção de que a crise no Supremo pode favorecer eleitoralmente Flávio Bolsonaro.
Do outro lado, a avaliação é de que o apoio das ruas no 7 de Setembro pode ter fortalecido Mendonça, que se mostra disposto a “trucar até o fim”. A divulgação de um vídeo em que o ministro, relator do caso Master, pede orações é encarada como um sinal de que Mendonça “sabe o que está fazendo”, segundo uma liderança política.
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A decisão de Mendonça, somada à carta de ex-ministros do STF, deixa o atual presidente da Corte, Edson Fachin, ainda mais pressionado. Absolutamente ninguém sabe onde tudo isto vai parar.
