O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, deu finalmente os primeiros indicativos de como pretende construir a saída para a crise institucional sem precedentes instaurada na corte pelo embate entre Alexandre de Moraes e André Mendonça. A tendência é que Fachin estique os prazos pelo tempo que for necessário para os ânimos se acalmarem antes de levar o tema ao plenário. 

Quem acompanha de perto o desenrolar da confusão aposta em um movimento do presidente do Supremo para ganhar tempo, sob o argumento de garantir o contraditório em meio à troca de acusações. Especialistas vão no mesmo sentido. “Fachin adotou uma providência relevante  ao retirar a questão do âmbito do ‘inquérito das fake news’ e determinar a oitiva de Mendonça e das demais autoridades envolvidas. Na condição de presidente da corte, ele está adotando neste momento a providência mais coerente: ouvir as autoridades envolvidas e colher informações antes de tomar uma decisão definitiva”, analisa o professor de processo penal e criminalista Sérgio dos Anjos. 

Hoje, três desfechos estão no horizonte do presidente do Supremo: 1) arquivar tanto o relatório de Mendonça que esmiuça as relações de Moraes com Daniel Vorcaro quanto a peça em que Moraes acusa Mendonça de crimes; 2) determinar novas diligências, o que daria mais tempo para esfrir a crise; e 3) levar o embate para o plenário do STF logo após o fim do prazo de cinco dias estipulado para que os envolvidos se manifestem.

Uma eventual decisão em plenário esbarraria em outro impasse: quem participa e quem fica de fora da decisão. Atualmente, o STF conta com dez ministros e três estariam tecnicamente impossibilitados de participar (Moraes, Mendonça e também Dias Toffoli, que se declarou impedido de atuar no caso Master após virem a público suas relações com Vorcaro). A votação, assim, ficaria restrita a Kássio Nunes Marques, Luiz Fux, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Gilmar Mendes e Cármen Lúcia, além do próprio Fachin, que pode dar o voto de desempate se for preciso.

Na hipótese de o plenário considerar suficientes os elementos, a investigação avança. Caso contrário, as acusações podem ser arquivadas. O doutor em direito constitucional Rubens Beçak alerta para os riscos de um possível arquivamento para a credibilidade do Judiciário. “O Supremo tem a obrigação de dar uma resposta à sociedade. Não é apenas que ele precise fazer isso. É mais do que isso: existe uma obrigação institucional de apresentar essa resposta”, disse Beçak.

“Não diria nem sequer no médio prazo, mas no curto prazo poderá haver uma descrença generalizada da sociedade civil e da população em relação às decisões tomadas pelo Supremo e, consequentemente, em relação a tudo o que está sob o comando da corte e do próprio Poder Judiciário. Se Fachin não comandar muito bem esse processo, teremos consequências profundamente deletérias para o Supremo Tribunal Federal e para o Poder Judiciário”, prossegue o professor da USP (Universidade de São Paulo).

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Se, por outro lado, o plenário decidir pela abertura de uma investigação criminal, o caso ganhará também desdobramentos políticos, inclusive no Senado, responsável por decidir sobre o impeachment de integrantes do Supremo.

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