Enquanto no STF (Supremo Tribunal Federal) se desdobra a guerra entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, no Senado a oposição tenta tirar dos planos medidas concretas. A principal frente após as novas revelações sobre a relação de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, passa por retomar a defesa de um processo de impeachment contra o ministro. O problema é que, pelo menos por ora, os planos esbarram na postura de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente da casa, que precisaria dar aval à medida.
Alcolumbre, como se sabe, goza de boa relação com o próprio Moraes e, para além disso, também manteve ligações com Vorcaro. No plenário, nesta terça-feira, 1º, todos os discursos de senadores da oposição com críticas ao ministro foram solenemente ignorados por um Alcolumbre impávido no comando da sessão que aprovou, por 63 votos favoráveis e quatro contrários, a indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), seu aliado, para a vaga deixada por Bruno Dantas no TCU (Tribunal de Contas da União).
A estratégia da oposição é usar as sessões como caixa de ressonância as informações contidas no relatório da Polícia Federal cujo sigilo foi derrubado por André Mendonça. Na via oposta, aliados do presidente Lula prometem reagir, acusando o ministro de atuar politicamente para favorecer Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República. Eles sustentam que Mendonça age de “de forma seletiva”. “A tentativa de associar de Moraes a Lula por parte da oposição será tão instrumentalizada que a gente vai ter que mostrar os objetivos eleitoreiros. Nós vamos para o enfrentamento”, disse ao PlatôBR a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE).
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Nesta terça, Flávio cobrou Alcolumbre diretamente por não dar vazão aos pedidos de providências contra Moraes. “É muito preocupante essa espécie de anestesia que estamos vendo por parte do Poder Legislativo, especialmente por parte desta casa”, disse. “Parece que nada está acontecendo no país”, acrescentou. Alcolumbre, mais uma vez, ignorou. O senador Carlos Viana (PSD-MG) cobrou respeito à oposição, lembrando, de forma velada, que haverá novas eleições para o comando da casa no próximo ano. “Eu votei no senhor três vezes e espero que cumpra com sua obrigação como presidente do Senado”, disse. A atmosfera tende a se manter inflamada nos próximos dias, ao longo do esforço concentrado convocado por Alcolumbre.
