Minha expectativa com o debate da Band neste domingo, 23, estava tão baixa que não achei a noite ruim assim como a maioria das análises descreve.

Sem cadeiras voando, dedos em riste ou ofensas baixas, deu para acompanhar a uma hora e meia de debate sem o sono de Gilberto Kassab, que acabou pescando na plateia, justamente no momento em que Ronaldo Caiado, de quem é vice, falava.

Talvez eu não tenha cochilado porque o debate foi cedo, começou pontualmente às 20h, mas dá para entender o dirigente do PSD. Caiado demonstra segurança e experiência, mas não empolga e, sim, para vencer uma eleição presidencial no Brasil, é preciso empolgar.

Caiado era o único político raiz no debate de três pessoas: ele, Renan Santos e Augusto Cury. O ex-governador de Goiás já sobressaía na imagem por ser o mais alto do trio. Em tese, era também o que mais tinha a dizer. Caiado, porém, aos 76 anos e com o check-up em dia, anda sem muita energia.

Energia que sobra ao estreante Renan Santos, do Partido Missão. Ele foi para o debate pronto para garantir bons cortes. E deu certo. Fala acelerada, pensamento agitado, várias ideias jogadas ao mesmo tempo e frases e cenas de efeito devidamente encaixadas.

Posicionado ao lado do púlpito de ambos, Renan foi quem mais explorou a ausência de Lula e Flávio Bolsonaro. Os dois primeiros colocados nas pesquisas, como já era esperado, não foram ao debate. Essa história de considerar a decisão de faltar uma “estratégia de campanha” pode ser compreensível, só que não impede que sejam chamados de fujões.

Renan captou isso e foi para cima, virtualmente, do petista e do filho de Jair. No ímpeto de chamar a atenção e se tornar mais conhecido do público fora das redes, Renan foi menos institucional do que nas sabatinas e entrevistas de que tem participado.

Augusto Cury (Avante), o psiquiatra e escritor que também participa de uma eleição pela primeira vez na vida, percebeu rápido e fez um diagnóstico de Renan ao vivo: “Seu nível de agressividade me assombra”.

Acostumado a dar palestras para grandes plateias, Cury segurou as pontas, apresentou propostas e conseguiu se acalmar, depois de chegar a anunciar que não iria participar do debate. Ele ficou fulo da vida quando soube que a Record transmitiria uma entrevista com Lula simultaneamente ao debate. O diretor de jornalismo da Band, Fernando Mitre, teve de ir até a porta da emissora convencer Cury a entrar, engolir seco e compor o cenário.

Além dos ataques inevitáveis aos fujões, Caiado, Renan e Cury trataram, com divergências, da proposta do fim da escala 6×1, voltaram a lembrar da importância da educação no país e do desastre, nesse sentido e focaram no tema da segurança, que assombra os brasileiros mais do que Renan assombra Cury.

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Romeu Zema, do Partido Novo, que desistiu de ir ao debate horas antes, foi completamente ignorado pelos participantes.

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