O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já aplicou todas as vacinas possíveis para tentar conter o desgaste eleitoral diante das suspeitas — entre elas, a de tráfico de influência — envolvendo seu filho mais velho, Fábio Luís Lula da Silva. Lula já disse que não tinha conhecimento de atos do filho, que não o protegerá das investigações da Polícia Federal e que, se for culpado, Lulinha terá que responder pelo que fez. A estratégia, no entanto, tem se mostrado ineficiente, especialmente depois que as suspeitas chegaram também à sua antessala no Palácio do Planalto, com o envolvimento de seu ex-chefe de gabinete, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, que, assim como Lulinha, manteve estreita relação com a lobista Roberta Luchsinger, investigada no escândalo do INSS.
Lula agora vive um dilema. Se defender a anulação das investigações, caminho que vem sendo defendido pela defesa de Lulinha, passará uma imagem de instrumentalização da polícia — uma acusação comumente feita por petistas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ), que chegou a trocar delegados da PF que tocavam inquéritos envolvendo seus filhos. Se optar por continuar jogando parado, Lula também perde, na medida em que o surgimento gradativo de novidades sobre a apuração acaba atingindo diretamente a sua imagem, com evidente risco de danos eleitorais. Petistas alegam que os “vazamentos seletivos”, e “a conta-gotas”, caracterizam um estratagema político com intenção de atingir politicamente o presidente. Qualquer que seja a origem e a intenção, porém, o estabelecimento de um plano para a reação de Lula é dificultado pelo desconhecimento do que ainda pode surgir.
“Há um certo padrão de vazamento que indica que quem está alimentando o noticiário tem a exata noção do funcionamento de uma crise”, disse ao PlatôBR, sob reserva, um integrante a campanha de Lula. As suspeitas envolvendo Lulinha e Marcola configuram a primeira crise grave na campanha petista, que na prática está de mãos atadas. Até o momento, o entorno do presidente aposta na comparação do caso com as suspeitas que envolvem o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), rival dele na corrida pelo Planalto, que ainda sofre com a crise de imagem causada pelo áudio em que cobra dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Petistas tentam minimizar o impacto do caso que envolve Lulinha e Marcola com corrupção não dizem respeito diretamente a Lula, como ocorre com Flávio.
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Outro fator que a campanha de Lula usa em favor dele é o fato de que, ao menos até agora, não apareceram resultados práticos das tentativas de Lulinha e Roberta de obterem vantagens dentro do governo. No entanto, até mesmo esse discurso tem sido testado com cautela por temor de que uma nova revelação possa desmontá-lo. Aliados do presidente entendem que Roberta Luchsinger se tornou tão “radioativa” quanto Daniel Vorcaro, e temem que novos elos com ela sejam revelados. “Houve um momento em que o personagem mais radioativo era o Careca do INSS, depois essa função passou para o Vorcaro e agora é a Roberta”, avalia uma pessoa próxima do presidente. Na noite desta quarta-feira, 19, Lula recebeu no Palácio da Alvorada o advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho. O encontro durou mais de três horas.
