Em rodas de conversa em escritórios do Lago Sul ou nos convescotes brasilienses, advogados com atuação e trânsito nos tribunais superiores fazem arder a orelha dos ministros do STF.
O comentário praticamente uníssono entre a velha guarda da advocacia do poder é que uma corte que já teve em seus quadros nomes como Moreira Alves e Sepúlveda Pertence vive a pior fase de sua história.
Em tom de lamento, a nata da advocacia considera o atual Supremo “fraco”. E enumera os motivos, sem personificar: o excesso de exposição, a consolidação da figura do que chamam de “ministro palpiteiro”, as articulações políticas para além de qualquer razoabilidade e, principalmente, o baque provocado por investigações que respingaram em ministros.
Advogados que convivem com integrantes da Corte disseram à coluna, pedindo reserva, claro, que o clima entre os ministros piorou e muito depois do caso Master, por exemplo.
Quem acompanha de perto a rotina do tribunal diz que já não se trata apenas das disputas de poder naturais ao ambiente de Brasília, mas de uma verdadeira busca por sobrevivência.
Há muita e cada vez mais maledicência de um contra o outro, acusações agressivas, chacotas e até planos elaborados para enfraquecer uma ala e conquistar espaço.
O Supremo deixou de ser um colegiado minimamente unido, apesar das divergências e vaidades naturais, e se transformou em um lugar aprisionado e de crises internas constantes, “com muito poder e pouca credibilidade”, definiu um advogado com mais de 30 anos de Brasília.
Essa percepção é péssima para a imagem da Corte, já desgastada perante a sociedade, mas também arranhada no próprio meio jurídico, embora quase ninguém queira levantar essa discussão de maneira escancarada.
Recentemente, em uma conversa sobre o STF, um advogado lembrou a outro uma famosa frase atribuída a Ulysses Guimarães: “Está achando ruim este Congresso? Então espera o próximo: será pior”. O desânimo com o cenário atual é tão grande que o provérbio do folclore político brasileiro passou a valer também para a Suprema Corte.
Juristas afirmam que, com exceção de um ou outro nome com ambições mais políticas, grandes expoentes do Direito, reconhecidos pela capacidade intelectual, cultural e de liderança, já não sonham em chegar ao Supremo.
Acuada e enfraquecida, avaliam advogados ouvidos pela coluna, a Corte precisa, de fato, reagir, demonstrar força, autodefender-se. A recente compra, pela segurança do Supremo, de um equipamento ultramoderno capaz de abater drones é sintomática.
Mas a melhor defesa da instituição, segundo o que se ouve no meio jurídico de Brasília, não é agir por impulso, com ações e reações que precisem ser justificadas no minuto seguinte.
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O caminho seria quase monástico: silenciar-se e recolher-se. Aproveitar a autoproteção do Supremo para promover uma espécie de “escuta interior e cura do excesso”. Erga omnes.
