Adversários de polos antagônicos encontraram uma raro ponto de concordância na disputa presidencial: a dificuldade de Flávio Bolsonaro (PL) em construir uma identidade própria, descolada da sombra do pai.

Desde que ventilou sua pré-candidatura, respaldada pela carta escrita à mão pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio virou o alvo predileto da esquerda, como era de se esperar, mas também da própria direita. O motivo? As dificuldades para gerir e sustentar o espólio bolsonarista.

Ronaldo Caiado (PSD), postulante à Presidência e rival direto de Flávio no espectro conservador, desdenhou da carta do ex-presidente e cravou o tom da crítica: “Liderança você não herda, você constrói. Não dá para, a cada crise, trazer uma carta do pai para respaldá-lo”.

Na outra ponta da direita, Renan Santos (Missão) elevou o tom e disse que o senador é muito pior do que o pai. É apenas um sujeito corrupto, um cara que nunca teve um trabalho além de ser político, resumiu o presidenciável em entrevista ao Política em Minutos, programa de entrevistas do PlatôBR em parceria com a Léo Dias TV.

Flávio não escapou das críticas nem no próprio entorno. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, atribuiu à diferença de carisma entre pai e filho o esvaziamento do primeiro ato oficial de campanha do senador em Copacabana, no domingo, 16.

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Na esquerda, a leitura é semelhante. Simone Tebet (PSB), candidata ao Senado por São Paulo, aponta a falta de densidade de Flávio. Jair era autêntico, gostasse ou não. Flávio tenta vender a figura do bom moço, mas logo em seguida passa a questionar as urnas eletrônicas, disse recentemente a ex-ministra.

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