Ao chegar ao comando do PT em agosto do ano passado, o ex-ministro Edinho Silva projetou uma imagem antissistema para a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição. Até hoje, aliás, ele vem defendendo essa ideia. Na semana passada, porém, a veia antissistema de Lula foi questionada pela campanha de Flavio Bolsonaro, do PL, especialmente em razão da reaproximação do presidente da República com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil -AP), intermediada por Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal). Esse seria, na visão da oposição, o maior sinal de que Lula “faz parte do sistema”. 

Nesta segunda-feira, 17, Edinho Silva rebateu a acusação e disse que esse raciocínio, por si, demonstra que a direita “não tem condições de governar o Brasil”. “Como que um presidente da Republica não conversa com o presidente do Senado?”, indagou. “O presidente da República, independente da posição do presidente do Senado, tem que conversar com o presidente do Senado, tem que conversar com o presidente da Câmara, tem que conversar com o presidente da Suprema Corte”, prosseguiu, para explicar em seguida como ainda enxerga em Lula um candidato que desafia o sistema.

“O presidente é antissistema porque ele quer enfrentar privilégios, aumentar salário trabalhador. Ele quer que a gente tenha uma política que enfrente a concentração da renda e, portanto, que distribua a renda para quem não tem. Por isso que o presidente Lula, desde que surgiu na política brasileira, confronta o sistema, foi o presidente que sempre confrontou o sistema e, novamente, é um presidente que confronta o sistema”, defendeu, durante conversa com jornalistas.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Contradição ou não, o próprio Edinho que quer uma “versão antissistema” de Lula verbalizou que o PT planeja articular mais adesões à campanha do presidente à reeleição e admitiu que o partido buscará alianças pcom partidos do Centrão, se possível ainda no primeiro turno. “Vamos iniciar as conversar com o campo democrático brasileiro ainda no primeiro turno”, afirmou. “A chance é diálogo. Não tem jogo ganho sem ter jogado. Nós vamos, a partir de hoje, estabelecer um diálogo com as forças democráticas do Brasil, independente de posições tomadas no passado. Nós queremos juntar em torno da candidatura à Presidência“, sinalizou. No rol de siglas a serem buscadas estão MDB, União Brasil, Republicanos e PP, que se mantêm neutros até o momento.

compartilhe