Flávio Bolsonaro (PL) escolheu Copacabana, no Rio de Janeiro, para dar a largada oficial em sua campanha à Presidência da República. No ato deste domingo, 16, em cima de um trio elétrico, o senador adotou um discurso de confronto direto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), líder nas pesquisas, e explorou temas sensíveis para o atual governo, como segurança pública, corrupção, combate ao feminicídio e defesa da soberania nacional.

Longe das multidões que marcaram os atos bolsonaristas no reduto político do clã, Flávio subiu ao trio elétrico ao lado da mulher, a dentista Fernanda Bolsonaro. Por baixo da camisa com os dizeres Meu partido é o Brasil, modelo igual usado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro no dia em que foi esfaqueado em Juiz de Fora (MG) em 2018, ele vestia um colete à prova de balas.

O primeiro discurso oficial de campanha do candidato do PL foi marcado por contrapontos ao governo de Lula. Flávio Bolsonaro mandou recados para diferentes segmentos do eleitorado: falou à classe média, ao abordar o endividamento e o baixo poder de compra, às mulheres ao prometer combate ao feminicídio e investimentos em qualificação profissional, aos evangélicos e conservadores, ao reiterar pautas de costumes tradicionais do bolsonarismo, e às vítimas da violência, ao defender o enfrentamento ao crime organizado e às facções criminosas.

Foi justamente no tema segurança pública que Flávio subiu o tom. Em clara provocação ao atual governo, o senador afirmou que o brasileiro perdeu a soberania sobre o celular, o carro, a casa e a própria rua diante do avanço do crime organizado. Em seguida, ele atacou a política diplomática da atual gestão. “O atual governo é um governo que briga com todo mundo, mas briga com quem está longe. Briga com países que estão a 10 mil quilômetros da gente. Briga com países que estão em outro continente. Mas o atual governo não briga com ladrão de celular. O atual governo não briga com traficante, não briga com estuprador, não briga com assaltante, não briga com assassino, disse.

Depois, mirou Lula ao prometer tratar facções criminosas como organizações terroristas, em alinhamento com a decisão do governo de Donald Trump, e prometeu resgatar a soberania do Brasil, termo que virou uma das principais bandeiras da gestão petista ao defender o enfrentamento aos Estados Unidos ainda durante o primeiro tarifaço. “Um governo que não tem a capacidade e não tem também a vontade de defender a soberania de quem mora aqui no Brasil, não tem condições de manter a soberania sobre o seu próprio território. Ou está fechado com o crime organizado ou é muito incompetente, prosseguiu.

Batom
O lançamento da campanha do candidato do PL começou com o Hino Nacional e misturou discursos, música gospel e orações. A certa altura, a mulher do presidenciável interrompeu o discurso dele para escrever, com um batom vermelho, o lema da campanha: O Brasil vai vencer.

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O discurso de Flávio voltaria a ser interrompido de novo. Desta vez, pelo próprio candidato, que interrompeu o raciocínio para alertar para o risco de afogamento de crianças no mar revolto de Copacabana. Pelo microfone, ele pediu a salva-vidas e  surfistas que ajudassem em um resgate.

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