A farra das emendas parlamentares anestesiou o Congresso.

Bilhões de reais em dinheiro público passaram a ser tratados com tanta naturalidade que, somente vez ou outra, alguém em Brasília ainda se dispõe a questionar.

Faz sentido ministro de Estado ter de passar o pires para deputado e senador para conseguir colocar em prática uma política pública?

Até os idealizadores da captura do orçamento, de Eduardo Cunha a Arthur Lira, sabem que a corda esticou demais.

Lula voltou a tocar no assunto às vésperas do início da campanha, mas ninguém sabe ainda como a questão poderia ser resolvida se é que existe, de fato, alguém disposto a resolvê-la.

Fala-se em acordão entre Legislativo e Executivo, sem envolvimento do Judiciário. Também se cogita o retorno do financiamento privado.

Mas poucos levam a sério possíveis alternativas.

“Mais fácil o Lula sofrer impeachment, se vencer e insistir nisso, do que mudar o modelo consolidado”, chegou a dizer à coluna, nesta semana, um parlamentar do Centrão.

Outro líder político, que demonstrava espanto com o tamanho da farra das emendas para as eleições deste ano, resumiu o sentimento em uma frase: “A podridão venceu”.

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Ao que parece, só um escândalo muito grande e generalizado, capaz de realmente parar o país, teria força para mexer na situação. Ou nem isso.

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