Os quatro episódios em que o presidente da Argentina, Javier Milei, atacou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde a visita que fez ao Brasil para participar da convenção que confirmou o senador Flávio Bolsonaro (RJ) como candidato à Presidência da República levaram ao pior momento da relação diplomática e política entre os dois países.
Após retornar a Buenos Aires, Milei usou as redes sociais e entrevistas para chamar o petista de ladrão, corrupto e afirmar que o Brasil tentou interferir nas eleições do país vizinho, sem apresentar provas. Na última terça-feira, 4, a gestão petista decidiu rebaixar relação diplomática com os argentinos: a representação brasileira no país vizinho passará a ter um encarregado de negócios, e não mais um embaixador.
Diplomatas brasileiros e auxiliares de Lula ouvidos pelo PlatôBR admitem que, sim, as relações diplomáticas e políticas entre os dois presidentes que nunca foi boa está no pior momento, mas ressalvam que não há interesse, ao menos por parte de Lula, de a tensão escalar ainda mais. Com isso, os negócios entre as empresas dos dois países permanecem preservados e não há riscos para o Mercosul, pelo menos até o momento.
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No Palácio do Planalto e no Itamaraty, a aposta é que Milei seguirá afrontando verbalmente o governo Lula ao longo do processo eleitoral. Dada a imprevisibilidade do presidente argentino, é considerada inclusive a possibilidade de ele tomar alguma decisão que possa prejudicar empresas brasileiras, mas por ora a ordem é para evitar novas tensões. “Não há nada no radar, mas pode-se esperar tudo de Milei”, resume um auxiliar de Lula.
