O presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciará oficialmente a campanha para tentar conquistar seu quarto mandato em vantagem na corrida eleitoral, mas com crises no radar que podem influenciar seu desempenho nas urnas. Investigações envolvendo aliados e familiares e cobranças por mudanças na agenda econômica entram no cálculo da campanha.

Uma das principais crises que atingiram a pré-campanha petista — e que deve continuar em pauta até as eleições — envolve o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Lulinha passou a ser investigado pela Polícia Federal em inquéritos autorizados pelo ministro André Mendonça, do STF. As apurações envolvem suspeitas de tráfico de influência e corrupção.

Na última quinta-feira, 30, momentos após Mendonça dar aval para as investigações, o presidente defendeu que Lulinha deve ser investigado como filho de qualquer pessoa e que ele não vai ficar escondido. Não haverá qualquer privilégio. Jamais pedirei para um juiz não fazer a coisa correta. Se ele estiver certo, vai ter ajuda minha. Se fizer coisa errada, não vai ter, disse Lula.

Jaques Wagner
Não bastasse a crise familiar, a campanha de Lula também poderá sofrer com desgastes ocasionados por um aliado de longa data do petista: o senador Jaques Wagner (BA). Ex-líder do governo no Senado, o parlamentar é investigado pela PF por suposto envolvimento com o escândalo do Banco Master. 

Documentos tornados públicos por André Mendonça, que é relator também desse caso na corte, apontaram 74 ligações telefônicas entre Wagner e o banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro e igualmente investigado por supostas fraudes financeiras. A PF suspeita que o senador, íntimo de Lula, tenha atuado como articulador político em benefício do banco no Senado.

Wagner nega as acusações e afirma que irá provar sua inocência. Ainda assim, aliados da campanha petista dão como certo que o episódio será explorado politicamente pelos adversários para tentar desgastar a imagem do presidente. A leitura dentro do grupo de Lula é que as crises envolvendo o filho e o aliado abrem espaço para a retomada corrupção do discurso que busca associar o PT à corrupção uma bandeira historicamente sensível para o partido e que teve forte peso nas últimas disputas presidenciais.

Colégios eleitorais
Lula começa oficialmente a campanha liderando as pesquisas de intenção de voto. Segundo as mais recentes pesquisas Genial/Quaest, entre os três maiores colégios eleitorais do país, que juntos concentram quase 40% do eleitorado brasileiro, o petista aparece na frente em Minas Gerais, estado historicamente estratégico na disputa. No Rio de Janeiro, empata tecnicamente com Flávio Bolsonaro (PL), seu principal adversário na corrida. Já em São Paulo, estado com o maior número de eleitores, a vantagem é filho de Jair Bolsonaro.

Os levantamentos indicam que, apesar do cenário competitivo no Rio de Janeiro e da desvantagem em São Paulo, Lula tem melhorado o desempenho entre eleitores moderados e reduzido a diferença para candidatos de direita nos três estados. Em 2022, o petista só venceu o então presidente Jair Bolsonaro em Minas Gerais. 

Até por isso, Lula trabalhou desde o início do ano para consolidar palanques nos três estados. Em São, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad será o candidato do PT ao Palácio dos Bandeirantes, com as ex-ministras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) concorrendo ao Senado. No Rio, o palanque petista é composto por Eduardo Paes (PSD), candidato ao governo, e por Benedita da Silva (PT) e Pedro Paulo (PSD), que buscam se eleger senadores.

Em Minas, o PT ainda precisa bater o martelo sobre quem ocupará a vaga de vice na chapa de Patrus Ananias ao governo do estado. Um dos nomes cotados é o da deputada Áurea Carolina (PSOL), pré-candidata ao Senado. Por isso, até o momento o partido tem confirmado, entre os pretendentes às duas vagas no Senado, apenas o nome de Marília Campos (PT), ex-prefeita de Contagem, deixando a segunda posição na chapa ainda em aberto.

Programa econômico
Outro desafio que a campanha de Lula terá de enfrentar nos próximos dias é a apresentação de um programa econômico mais claro para um eventual quarto mandato. O presidente vem sendo cobrado por setores do mercado financeiro e do empresariado a detalhar quais serão as prioridades da área econômica, especialmente em relação ao controle das contas públicas e à trajetória da dívida.

Dentro desse movimento, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, tem atuado como um dos principais interlocutores da área econômica da campanha e discute com Lula uma proposta para endurecer as regras do arcabouço fiscal em caso de reeleição. Entre as mudanças em avaliação está a redução do limite anual de crescimento das despesas públicas, de 2,5% para 1,5% acima da inflação, além da criação de novos mecanismos para conter o avanço dos gastos obrigatórios.

A proposta foi apresentada por Durigan em conversas recentes com representantes de grandes instituições financeiras, na tentativa de sinalizar ao mercado que um eventual governo Lula 4 teria como prioridade o controle das despesas. A discussão ganhou força diante do crescimento da dívida pública, que encerrou junho em R$ 10,8 trilhões, o equivalente a 81,9% do PIB.

Esta será a sétima vez que Lula disputará a Presidência da República. A estreia do petista em uma eleição presidencial foi em 1989, quando chegou ao segundo turno, mas acabou derrotado por Fernando Collor. Desde então, o atual presidente venceu as disputas de 2002, 2006 e 2022. A candidatura do petista nas eleições deste ano.

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A candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição foi lançada oficialmente neste domingo, durante a convenção nacional do PT, realizada em São Paulo. A chapa será novamente composta pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), ex-governador de São Paulo e ex-ministro, repetindo a aliança que venceu em 2022.

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