Apesar das sinalizações públicas de que um pacote de reformas deve ser colocado em prática para estabilizar as contas públicas caso o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) seja eleito presidente da República, reservadamente interlocutores do pré-candidato ainda têm dúvidas sobre a efetividade de algumas medidas. Eles também calculam o custo político de tirar algumas iniciativas do papel. Entre elas, a reforma da Previdência.

Alguns dos auxiliares econômicos do presidenciável do PL mencionam o fato de que o ajuste não deve ser feito à custa das aposentadorias dos idosos. Nesse caso, eles citam como alternativa uma mudança nos valores e no sistema de pagamento de emendas parlamentares, estimado em quase R$ 60 bilhões no orçamento de 2026. A ideia é tirar dinheiro daí para reduzir o impacto das aposentadorias nas contas públicas.

Ainda que entendam que a solução pode passar pelos bilhões das emendas, a avaliação é que esse é um problema difícil de sanar, especialmente pelos possíveis efeitos colaterais no front político. Com a impositividade dos pagamentos e o “orçamento secreto” – que, por sinal, foi turbinado na gestão Jair Bolsonaro -, alguns auxiliares de Flávio avaliam ser difícil mudar as regras, o que traria problemas para o governo no Congresso.

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Outros dois desafios, na avaliação de interlocutores econômicos de Flávio, são a reforma administrativa e a redução dos gastos tributários, que garantem isenções significativas para diversos setores da economia e criam distorções na economia. No primeiro caso, uma ala defende que o congelamento dos salários sem a concessão de reajustes para os servidores já traria uma economia significativa, como ocorreu durante o governo Bolsonaro. No caso dos gastos tributários, os lobbies de alguns setores no Congresso devem criar dificuldades para que o governo aumente a arrecadação de impostos.

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