A escolha do deputado Patrus Ananias (PT) para disputar o governo de Minas Gerais representa uma solução caseira para o palanque de Lula no estado. Ao mesmo tempo, porém, a decisão expõe a resistência do presidente a negociar com a cúpula nacional do MDB. Um episódio chamou a atenção tanto de petistas quanto de emedebistas durante a discussão sobre a formação da chapa.

Desde o ano passado, o partido do ex-presidente Michel Temer apresenta o nome de Gabriel Azevedo como pré-candidato ao Palácio Tiradentes. Enquanto ocorriam conversas sobre a possibilidade de Marília Campos (PT), ex-prefeita de Contagem e pré-candidata petista ao Senado, apoiar Azevedo na corrida pelo governo, integrantes do PT estadual chegaram a sugerir uma “costura por cima”, ou seja, entre Lula e o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi (SP).

O objetivo era viabilizar a aliança entre as duas legendas. Lula, de acordo com petistas, se recusou a dar esse passo. Rossi é ligado a Temer, que foi vice de Dilma Rousseff e assumiu o Planalto em 2016, depois do impeachment. Para Lula, buscar a direção do MDB e tentar negociar uma aliança em Minas, estado de Dilma, revolveria uma mágoa difícil de superar, inclusive para a ex-presidente.

Conversas eventuais
Pessoas ligadas a Rossi garantem que a conversa com Lula não ocorreu. A negativa do presidente evidencia uma fissura difícil de fechar, mesmo com a participação do MDB em seu ministério no terceiro mandato.

Também não evoluíram para uma reaproximação as conversas eventuais que Lula teve com Rossi nem as palavras informais que ele trocou com Temer em 2022 na cerimônia de posse do ministro Alexandre de Moraes no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ocasião em que os dois se sentaram lado a lado.

“Foi uma conversa de elevador”, definiu um petista ao se referir a esse encontro. Dilma também estava presente e não olhou para Temer. Em entrevista recente ao Uol, o ex-presidente disse que tinha respeito por Dilma, mas que ela nunca mais falou com ele.

Um petista de longa trajetória aponta a dificuldade em ser pragmático na relação com o MDB por causa de personagens que estiveram no centro da costura da aliança que levou Temer a ser vice de Dilma e depois no episódio do impeachment. “Não se trata só de um trauma, mas uma avaliação política. Temer simboliza o comando do golpe. Não sei se Lula pensou assim, mas essa é a minha avaliação”, afirma.

Políticos influentes
Dirigentes petistas ressaltam as relações recuperadas com políticos que apoiaram o impeachment, citando Geraldo Alckmin, ex-tucano que apoiou a derrubada de Dilma, mas buscou reaproximação durante o governo de Jair Bolsonaro e se tornou vice de Lula.

Simone Tebet foi ministra do atual governo pelo MDB e vai disputar o Senado pelo PSB na chapa de Fernando Haddad (PT) em São Paulo. Lula e o PT também mantêm alianças com políticos influentes no MDB, entre eles os senadores Renan Calheiros (AL), Jader Barbalho (PA) e Eunício Oliveira (CE).

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Entre os mais novos, as relações são mais tranquilas. Gabriel Azevedo não acredita que a mágoa tenha atrapalhado a negociação em Minas Gerais. O emedebista hoje mantém diálogo com o sobrinho de Dilma, Pedro Rousseff, vereador em Belo Horizonte e influenciador nas redes sociais. Mesmo depois das decisões por candidaturas separadas, Azevedo recebeu mensagens carinhosas da presidente do PT local, deputada Leninha, com quem manteve conversas no tempo em que pensavam em um projeto conjunto para o estado.

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