O estopim da crise do União Brasil com o pré-candidato do PL à Presidência da República foi o silêncio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) diante da operação que prendeu Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado no Rio de Janeiro. Alvo da Polícia Federal na Operação Unha e Carne, Canella tem como suplente a ex-vereadora Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio, em uma chapa articulada pelo próprio senador. Mesmo assim, o ex-prefeito não contou com um aceno sequer do filho do presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ) em sua defesa.
A omissão desencadeou uma espécie de catarse entre as lideranças do União Brasil de todo país. “Ninguém confia nele mais”, disse sob reserva um deputado do União Brasil referindo-se a Flávio. O parlamentar disse que já havia um incômodo com ações consideradas erráticas. “Como não dizer que ele não trama contra o Brasil diante de setores empresariais que hoje sofrem com tarifas impostas pelos Estados Unidos? O que se instalou é um clima de falta de credibilidade”, disse um deputado do partido ligado ao agronegócio.
É crescente entre parlamentares de centro, do PP e do União Brasil a ideia de que não dá mais para se aliar ao PL na esfera federal. O presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, trabalha para conter a revoada e mantém conversas com o Republicanos para tentar acertar a indicação de um integrante do partido comandado por Marcos Pereira (SP) para vice na chapa de Flávio.
Reunião de avaliação
No Republicanos, o ex-ministro Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos), aliado de Lula e candidato a deputado federal por Pernambuco, emitiu nesta quinta-feira, 9, uma nota demonstrando que, se a sigla seguir com Flávio, ele caminhará para o lado oposto. “Independente da posição que a Executiva Nacional venha tomar, em Pernambuco – como sempre fizemos – estaremos votando no presidente Lula e no pré-candidato ao governo de Pernambuco, João Campos”, disse Costa Filho.
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No próximo dia 25, a cúpula da legenda chamou uma reunião com Flávio para avaliar a temperatura da candidatura. Um alto dirigente do partido admite a crise. “Da noite para o dia o inimigo se abraça, o inimigo se beija, e da noite para o dia os amigos rompem”, disse, sob reserva, referindo-se ao desgaste da relação do senador com o presidente do União Brasil, Antônio Rueda. Ele admite também a dificuldade de defender Flávio diante dos empresários. “Para mim, Flávio é o candidato, mas política é como nuvem. Tudo pode mudar”, disse.
