Em menos de dois dias, os produtos brasileiros passaram a ser alvo de uma sobretaxação de até 37,5% anunciada pelo governo dos Estados Unidos. A primeira medida foi divulgada na noite da segunda-feira, 1º, de 25%. E a segunda, no fim da noite desta terça-feira, 2, de 12,5%. Apesar da magnitude da taxação, do ponto de vista econômico, as medidas têm impacto limitado em alguns poucos setores, diante da lista de exceções para a pauta exportadora, sobretudo a agrícola.

Os analistas Luiza Paparounis e Francisco Lopes, do BTG Pactual, afirmaram, em relatório aos clientes, que os efeitos econômicos diretos do tarifaço tendem a ser restritos, uma vez que a lista de isenções permanece extensa e abrange parcela significativa das exportações brasileiras destinadas aos EUA. “Além disso, aproximadamente 12% das exportações brasileiras têm como destino os Estados Unidos, o que corresponde a cerca de 2% do PIB”, informaram.

Entretanto, o impacto político tende a ser maior, diante da polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O tarifaço se soma à crise recente com a classificação do CV (Comando Vermelho) e do PCC (Primeiro Comando da Capital) como organizações terroristas. 

De um lado, Lula, os seus ministros e os parlamentares governistas acusam o presidente Donald Trump de interferência política com essas medidas para tentar influenciar o voto dos brasileiros em favor de Flávio. Do outro lado, o pré-candidato do PL afirma que pediu a Trump que não sobretaxasse os produtos brasileiros. No caso da classificação de CV e PCC como terroristas, ele defende a medida. 

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No curto prazo, a turbulência e a troca de acusações tende a se intensificar. Mas o que realmente importa, neste momento, é como todo esse imbróglio afetará as intenções de votos dos eleitores. Flávio aposta em recuperação política com a pauta da segurança pública na tentativa de se deslocar do caso Master. Lula aposta em novo fortalecimento, assim como ocorreu no ano passado, quando Trump anunciou um tarifaço de até 50% aos produtos brasileiros. As próximas pesquisas tendem a sinalizar quem saiu ganhando neste novo capítulo da disputa eleitoral.

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