O destino do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) tem seguido o curso não muito diferente de outros ex-mandatários do estado quando se trata de problemas com a Justiça. Além de ter sido declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Castro foi alvo na manhã desta terça-feira, 26, de mais uma ação de busca e apreensão da Polícia Federal, a segunda realizada em endereços do ex-governador em menos de 15 dias.
Castro tinha planos de se candidatar ao Senado, formando no Rio um palanque para Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato ao Senado. Diante dessa nova operação, membros do partido avaliam que as chances de ele sair candidato são remotas. “Já era”, disse um integrante do PL, apontando que Castro poderia prejudicar ainda mais a imagem de Flávio, também flagrado em conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Na operação desta terça, a 8ª fase da Compliance Zero, a PF investiga aportes feitos na gestão de Castro de R$ 3 bilhões do RioPrevidência, um fundo de previdência social do estado, em diferentes aplicações financeiras para fundos ligados ao banqueiro.
“Sincronismo”
As buscas foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), com base em informações colhidas pela PF no celular de Vorcaro. Mensagens trocadas entre Castro e o banqueiro, indicam “crimes praticados em coautoria com o ex-governador”, no entender do ministro, que aponta “sincronismo” entre encontros mantidos entre os dois e os aportes financeiros feitos ao conglomerado controlado por Vorcaro.
A proximidade com o banqueiro, segundo o despacho, se caracteriza por encontros frequentes, inclusive em ambientes privados e no exterior, custeados por Vorcaro, “com elevada coincidência temporal em relação aos aportes bilionários do RioPrevidência”, diz a decisão.
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As buscas ocorrem no apartamento de Castro, na cobertura de um prédio na Península, condomínio de alto padrão na Barra da Tijuca, mesmo endereço onde ocorreram as buscas há cerca de duas semanas, a mando do ministro Alexandre de Moraes, que comanda a operação Sem Refino, sobre fraudes fiscais envolvendo a Refit, antiga Refinaria de Manguinhos.
