A revelação de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) visitou Daniel Vorcaro no final do ano passado, depois que o banqueiro saiu da prisão, provocou mais um estrago gigante na campanha do principal pré-candidato da direita ao Palácio do Planalto. Flávio disse na terça-feira, 19, em uma reunião com a bancada do PL no Congresso que esteve com o dono do banco Master no final do ano passado para botar um ponto final nas conversas sobre o financiamento do filme Dark Horse, uma cinebiografia de Jair Bolsonaro.

A nova descoberta teve impacto imediato no entorno do pré-candidato. Aliados reclamaram do fato de terem sido mais uma vez surpreendidos com informações que desmentem declarações anteriores de Flávio, que negava qualquer relação com Vorcaro até a divulgação pelo portal Intercept ,no dia 13 de maio, do áudio com pedido de dinheiro para financiamento do filme.

Em consequência de mais um fato que reforça a ligação entre Flávio e o banqueiro, as forças políticas do centro e da direita reposicionam discursos e estratégias. Aliados do senador tentam conter o desgaste provocado pela sequência de notícias que abalam suas campanhas nos estados. Os semblantes carregados dos deputados e senadores que acompanharam o pronunciamento de Flávio sobre o encontro com o dono do Master traduziram a gravidade do momento.

Outros pré-candidatos, como os ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), aproveitaram o momento para tentar avançar sobre o eleitorado de Flávio. Os dois endureceram os discursos contra o concorrente do PL.

Michelle corre por fora
Nas pesquisas, as revelações sobre as ligações com Vorcaro provocaram uma queda de pelo menos seis pontos percentuais nas preferências por Flávio. Essa sangria suscitou discussões sobre a substituição do pré-candidato do PL, o partido chegou a fixar um prazo de duas semanas para nova avaliação, mas depois houve um recuo em relação a essa informação.

Pelo que circula no PL, Jair Bolsonaro e os filhos não concordam com a saída de Flávio da disputa pelo Planalto. Não aceitariam nem mesmo que o novo nome fosse o da ex-primeira-dama Michelle, que não tem boa relação com os enteados e não participa da pré-campanha do senador.

Nos bastidores, Michelle é tratada como o nome mais forte para substituir Flávio. Ela tem aparecido pouco em público, mas na terça-feira, 19, durante o lançamento da candidatura à Câmara de uma amiga, ela adotou um tom irônico ao responder a uma pergunta sobre as ligações do enteado com Vorcaro: Sobre o Flávio, você tem de perguntar para ele.

A farra dos partidos
A pouco mais de quatro meses das eleições, os deputados aprovaram um projeto que libera os partidos de uma série de imposições da legislação eleitoral. O texto foi colocado na pauta em cima da hora pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e teve apoio de todos os partidos, menos do PSOL e do Novo.

A proposta, que ainda segue para o Senado, altera a Lei dos Partidos Políticos e flexibiliza normas que dificultam o julgamento de contas das legendas, limitar multas e impede sanções no semestre da eleição. Outra mudança permite disparos de mensagens em massa pelos partidos e pelos políticos.

Se for aprovado e sancionado, o projeto deve provocar discussões na Justiça, pois as novas regras contrariam o princípio da anualidade da legislação eleitoral.

Mais vetos derrubados
Na quinta-feira, 21, o Congresso derrubou os vetos de Lula à Lei de Diretrizes Orçamentárias que impediam os municípios inadimplentes de até 65 mil habitantes de celebrar convênios para repasses de recursos federais. A queda de outros vetos vai permitir que poder público faça doações de bens, dinheiro ou outros benefícios durante o período eleitoral e, também, que a União envie recursos orçamentários para a construção e manutenção de rodovias estaduais e municipais caso elas integrem modais de transporte ou escoamento produtivo.

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A derrubada de vetos foi comandada pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) e atende a pressões dos municípios que estavam sob restrições. Perto das eleições, essa liberação tem forte apelo eleitoral no interior do país. Diante de uma derrota certa, o governo também orientou a bancada a também votar pela queda dos vetos. Também ao governo interessa agradar ao eleitorado.

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