A adoção de um período de transição para a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que acaba com a jornada 6×1 não tem consenso nem mesmo dentro do governo. Com ouvidos mais sensíveis às divergências com os congressistas, os ministros Luiz Marinho (Trabalho) e José Guimarães (Relações Institucionais) chegam a admitir a implantação gradual, no entanto, batem de frente com Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) e Sidônio Palmeira (Secom), que esperam contar na campanha com os efeitos psicológicos da aplicação imediata da regra.

A defesa feita por Boulos e Sidônio obedece à urgência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em estabelecer, antes das eleições, uma marca que o reconecte com a classe trabalhadora. Essa visão deverá prevalecer no governo em relação às propostas que acabam com a jornada 6×1.

A decepção do presidente com os efeitos eleitorais da regra que isentou do Imposto de Renda pessoas que ganham até R$ 5 mil conta muito para essa posição. Lula pensava que a entrada em vigor dessa norma poderia render dividendos em popularidade, o que não ocorreu. Agora, ele precisa que a mudança na escala de trabalho passe a valer de imediato, para tentar conquistar votos nesta eleição, e não em 3 ou 5 anos de implantação da mudança. 

Nesta quinta-feira, 21, o relator da PEC, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), se colocou contrário à adoção do período de transição. Em audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, ele disse que sua intenção é implantar a folga de dois dias assim que o texto for aprovado e sancionado.

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Prates pretende entregar o texto aos deputados na segunda-feira, 25. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), marcou para a próxima terça-feira, 26, a votação na comissão especial e sua intenção é levar a PEC ao plenário na quarta-feira, 27.

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